terça-feira, novembro 10, 2009

Caso Alex Lopes e os valores do profissional de comunicação

Os bons jornalistas sabem: a ética e o profissionalismo são atributos inerentes a um profissional sério de comunicação. O jornalismo sério tem a objetividade e a busca da verdade como valores. A verdade representa a qualidade do que é verdadeiro, se difere da verdade do jornalista e se afirma como a exatidão real dos fatos. Poderia utilizar sinônimos para as palavras sério e verdade, mas de maneira proposital quis repeti-las, pois são relevantes e deveriam ser inseridas nos princípios fundamentais de cada jornalista.
A principio quero deixar claro que sou estudante, estou concluindo o curso de jornalismo e ingressando no mercado de trabalho. Embora competitivo, acredito que capacidade e eficiência sejam diferenciais para alcançar o sucesso e a realização profissional. Não pretendo chegar onde quero passando por cima de ninguém e tão pouco construir fama, destruindo a dos outros. Respeito os que informam sobre a vida das celebridades, mas abomino os que lhes atribui valores.
Não sou ingênua a ponto de desacreditar que uns chegam ao topo pelas indicações, popularmente conhecido como Q.I, e outros utilizam meios sujos para se destacar, mas sei que os leitores sabem diferenciar os jornalistas bons e ruins e quem tem competência é quem ganha destaque. Embora, infelizmente, o sensacionalismo seja ainda ovacionado, o individuo que possui discernimento busca a informação em fontes confiáveis.
Com o alto poder de persuadir, convencer e influir pessoas, o jornalismo passa a ser nas mãos de alguém uma arma que pode ser usada para o bem ou para o mal. No entanto, assim como a liberdade de expressão, que tanto reivindicamos, deveríamos lutar também pela liberdade de pensamento. Não podemos deixar que nossos valores e opiniões pessoais possam ditar o pensamento do leitor e interferir nos fatos. Deixemos que o leitor pense, tire suas conclusões e tenha uma posição critica a respeito de algo. Outra coisa que é necessário deixar claro, o jornalista pode escrever sua opinião, desde que ela seja explicita e não camuflada por trás de uma matéria, reportagem ou notícia.
Comecei a refletir sobre o papel do jornalista e seus valores, após o incidente envolvendo a cantora Cláudia Leitte e o “jornalista” Alex Lopes. Durante a coletiva de imprensa no sábado, 31, antes de seu show no Sauípe Fest, na Bahia, a cantora e o jornalista discutiram. Resultado, surgiram boatos que o marido da artista, Márcio Pedreira, teria agredido Lopes. No entanto, após as imagens do bate boca entre o jornalista e a cantora Cláudia Leitte foram divulgadas por completo, foi constatado que Alex Lopes mentiu ao dizer que havia sofrido uma agressão.
Os 15 minutos de fama do jornalista Alex Lopes foram alcançados com base na mentira de um fato, um acontecimento relacionado a uma agressão inexistente. Como jornalista, acredito que em nenhum momento a cantora quis coagi-lo e tão pouco considero o ato uma forma de tentar impedir a liberdade de expressão. As notícias publicadas a respeito da artista no portal Universo Axé fazem críticas não só a Claudinha como artista, mas como mãe, mulher e esposa, e visam denigrir a imagem da cantora. O que é publicado não são informações, são opiniões pessoais de um sujeito escondidas por trás de notícias e matérias.
Esses conceitos nos levam a refletir a respeito dos valores e do papel do jornalista, principalmente no que se refere à informação ao leitor. Os veículos de comunicação não podem ser um filtro que impedem que a verdade esteja ao alcance de todos e tão pouco o jornalista não deve ser alguém que dite e faça as opiniões. Ele deve levar em conta os princípios da profissão, fazendo com que ela esteja acima das opiniões próprias.

terça-feira, maio 26, 2009

O sonho interrompido



Mãe de gêmeos perde um dos filhos por causa de uma transfusão feto fetal

O sonho de ser mãe faz parte da vida da maioria das mulheres. É um sentimento que desperta logo na infância e acompanha até outras fases. Quando recebem o resultado “positivo” e constatam que estão grávidas é sempre uma surpresa, agradável para uns e desagradáveis para outras.

Quando desejada, cria-se um laço de afeto entre mãe e filho, que acompanham ansiosamente em média 9 meses à espera do bebê. Este tempo é marcado por momentos bons, a curiosidade para saber o sexo do bebê, a escolha do nome, a compra do enxoval...

A estudante Melissa Phan Paludetto de São Paulo, vivia este sonho de ser mãe de primeira viagem aos 16 anos. Do relacionamento entre ela e Andrews Trombieiro dos Santos, 20 anos, veio a gravidez inesperada, mas desejada por todos da família. Pouco tempo depois, soube que seu sonho viria em dose dupla. Aos dois meses de gestação descobriu que estava grávida de gêmeos univitelinos, ou seja, idênticos.

“Estava tão ansiosa... Ser mãe era meu maior sonho e após descobrir que estava grávida, passei a sonhar com o dia do nascimento deles”, conta.
No entanto, o maior sonho de Melissa, tornou-se um pesadelo. Infelizmente, no dia 27 de Dezembro de 2008, com 32 semanas de gestação, a adolescente começou a sentir contrações e foi para o hospital. “Na maternidade, me deram um remédio pra amenizar a dor, porque eu não tinha dilatação. O médico então pediu uma ultrassonografia para ver a posição dos bebês”, acrescenta.

Foi então que os médicos descobriram que o coração de um dos bebês havia parado de bater e que há dois dias, ele teria morrido. Os bebês haviam feito uma transfusão feto fetal que é uma síndrome em que um feto passa sangue para outro. Essas comunicações são comuns entre fetos de uma mesma placenta, no entanto, quando há desequilíbrio causado pelo excesso ou falta de sangue a um dos fetos, pode resultar em morte, como aconteceu com um dos bebês de Melissa. “O bebê que morreu se chamaria Kauãn e o outro que sobreviveu se chama Ryan. Na transfusão, o Kauãn acabou morrendo por excesso de sangue”, lembra.

Os médicos acabaram tendo que utilizar como procedimento o parto de emergência com intuito de salvar a vida do outro bebê que corria o risco de morrer pela falta de sangue. Ryan nasceu com anemia profunda e foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo), setor responsável pelo atendimento a recém nascidos.

“É uma dor lembrar o que aconteceu, é algo que estará sempre na minha memória. Após a perda do meu filho passei a ver muitos gêmeos e mulheres grávidas, o que me deixa muito mal. Já cheguei à conclusão que esse assunto de gêmeos me persegue. A perda do meu filho afetou bastante meu estado psicológico e por esse motivo acho que vejo tantos gêmeos e mulheres grávidas”, acredita Melissa.

O bebê permaneceu internado por 24 dias, onde passou por uma série de exames, entre eles uma ressonância magnética, na qual constatou que as duas partes do cérebro foram afetadas, o que pode resultar em seqüelas.

Apesar do futuro incerto quanto às seqüelas que Ryan corre risco de apresentar, Melissa sonha com um desfecho diferente para toda essa história e vê na fé a esperança de que o filho possa crescer saudável e sem maiores conseqüências. “Ainda não sabem se Ryan terá alguma seqüela. Para mim foi muito difícil assimilar isso tudo e hoje a única coisa que peço a Deus é que meu filho não tenha nenhuma seqüela”, conclui.

sábado, maio 23, 2009

Uma ferida que não Cicatriza


Depoimento de uma mãe que perdeu o filho em um acidente



A brasileira Cristina França, 45 anos, vive há 25 anos em Barcelona, na Espanha. Em agosto de 2006, sofreu a dor de perder o filho, Rafael França Maia, três dias depois de ter perdido a mãe Helena, que sofreu um derrame cerebral.

Rafael, na época com 24 anos, morreu vítima de um acidente de moto no Rio de Janeiro, onde estava morando há dois anos. O jovem trabalhava em um supermercado e retornava do horário de almoço acompanhado de um colega de trabalho, quando a moto em que estavam foi fechada por outro veiculo. Ao tentar desviar, a moto derrapou e os dois jovens se chocaram contra um muro. O colega de trabalho faleceu no local, enquanto Rafael chegou a ser socorrido, permaneceu 14 dias em coma, mas não resistiu.

“A dor de ter perdido um filho é uma dor insuperável, uma sensação de culpa em todos os sentidos. A gente não encontra um porque para aquilo ter acontecido. Tento trabalhar, ocupar a cabeça, mas superar é impossível. A dor de perder um filho é uma ferida que não cicatriza”, desaba Cristina
.
Cristina define o Rafael como um filho generoso, divertido, prestativo, carinhoso, que adorava ‘colinho da mãe e da avó’. O jovem se dividia entre a casa da mãe na Espanha e a casa da avó paterna Juvelina Maia, que ajudou a criá-lo. Em uma viagem de férias ao Brasil em 2002, Rafael conheceu Laia Ferreira, e ao retornar para Espanha, continuou se correspondendo com ela. Laia ficou grávida de outro namorado, o qual a abandonou, então Rafael se apaixonou por ela e resolveu ir embora para o Brasil, assumindo a responsabilidade de pai da criança. Rafael passou morar com a namorada e o pai, Jerfesson Maia, do qual eram muito amigos. “Eles eram como se fossem unha e carne”, conta Cristina.

Após algum tempo, Laia ficou grávida de Rafael, no entanto sofreu um aborto espontâneo. Depois de algum tempo Laia ficou grávida novamente e deu a luz a Isabel, hoje com 4 anos. Rafael estava encantado com a idéia de ser pai, era fascinado pela filha. “A última lembrança alegre que tenho é quando estávamos no telefone e ele avisou que estava chegando o primeiro aniversário da sua filha. Estávamos com as passagens marcadas para setembro ir ao Brasil, festejar junto com ele. Mas, um mês antes do aniversário, eu retornava ao Brasil para enterrar meu filho”, lembra.

A vida após a morte de Rafael tornou-se difícil para Cristina, entretanto, ela tem buscado vencer a saudade e ausência do filho. “Não sei onde encontrar tanta fortaleza, mas temos que seguir adiante, buscando forças para poder ajudar a outros pais, que passaram por situações semelhantes. Nesses instantes difíceis, sempre nos agarramos com a fé para amenizar a dor. Ás vezes duvidamos da fé, porque é difícil entender o que se passa. Por alguns instantes, questionei Deus, mas reconheço que a fé é que nos faz seguir adiante”, declara.

terça-feira, maio 12, 2009

Quando o amor não é eterno...


Certamente você já deve ter conhecido alguém, que de alguma forma mudou por completo sua vida. Com um tempo surgiram às afinidades, e mesmo diante das diferenças é perceptível que há muito em comum entre os dois. Do nada você se vê rindo de alguma coisa que lembrou desse alguém, vê sempre algo o(a) traz a memória...

Passam grande parte do tempo conversando e a sensação que se tem, é nunca faltam assuntos... Acham engraçado as coisas mais tolas, ouve uma música e pensa na maneira como ele(a) te faz bem. São horas e horas ao telefone, ao MSN, trocando recados e mensagens no celular. Quando você menos percebe, ela (a) já povoou seus pensamentos e você está com sintomas de paixão. Andam de mãos dadas, observam juntos as estrelas, trocam juras de amor... E se vêem cada vez mais envolvidos.

De repente o castelo de sonhos, que foi construído de areia desmorona e o conto de fadas chega ao fim. Mas como dizia Shakespeare, “beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno”. Quando conhecemos alguém com quem nos relacionamos e com quem nos envolvemos emocionalmente, não pensamos na possibilidade de separar. Mas, quando isso acontece, o melhor é estar preparado para novos desafios e para recomeçar uma nova vida, longe daquele que por algum tempo foi o seu companheiro.

Atualmente, é cada vez mais comum as pessoas se separarem, pois nem todos os casais permanecem juntos “até que a morte os separe”. Às vezes os relacionamentos que pareciam ser estáveis, terminam.

Os rompimentos tendem abalar emocionalmente as pessoas, algumas reagem mais fortes, enquanto outras se atêm ao desespero. A separação às vezes é inevitável, mas não é algo que não pode reparar. Quando não há volta, o melhor é ver no fim um novo recomeço e não fechar-se para o mundo e para o amor. A vida revela surpresas e certamente você irá se apaixonar outra vez, quem sabe outra, e outras, e outras... Cada vez que seu coração se fizer em pedaços, alguém irá consertá-lo e você estará pronto para recomeçar.

segunda-feira, março 24, 2008

Evangélicos no Poder

O crescimento cada vez maior dos candidatos da Igreja Universal na política

Por Débora Suellen

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) tem conquistado força dentro do campo político. O que para uns têm sido uma ameaça política, para outros representa a força e o avanço dos evangélicos que representam 22% da população, segundo a pesquisa realizada pelo Datafolha em 16 de abril de 2007.

Os evangélicos tornaram-se o segundo maior grupo religioso do país e uma forte força política, constatado através da eleição de evangélicos e a fidelidade de votos por parte dos fiéis. “O ingresso dos evangélicos no meio político comprova a possibilidade democrática de participação e representa uma fonte de mobilização política de setores sociais menos favorecidos”, alega Eronildes Vasconcelos (DEM-Ba), vereadora e obreira da IURD (chamados internamente de obreiros os membros encarregados de auxiliar na organização do culto e encarregados da evangelização).

O levantamento feito em 10 de outubro de 2006, pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), no Congresso, mostra que a bancada evangélica tem 36 parlamentares e quatro senadores que têm mandato até 2011. Entre os senadores está o principal interlocutor da bancada, Bispo Marcelo Crivella (PRB/RJ), da IURD.
Os dados são bem inferiores em relação aos deputados estaduais baianos, entre os 63 parlamentares, apenas cinco são evangélicos, segundo os dados da secretaria geral da mesa da Assembléia Legislativa. Já na Câmara Municipal, entre os 41 vereadores, nove são evangélicos, de acordo com o presidente da Câmara Valdenor Cardoso (PTC-Ba).

A vereadora Eronildes compreende como necessário a representação política dos evangélicos nas casas legislativas. “Os evangélicos são um seguimento organizado e tem que ter representatividade política. A igreja hoje pode ser considerada aquela que faz maior papel social dentro de um país, por isso se faz necessário que ela tenha sua representação o que não significa que ela tenha interesse de se expandir politicamente, o que ela tem interesse é na propagação do evangelho”, alega.

Mídia e Política - O jornalista e mestre em História Social José Carlos Peixoto Júnior, atribui o ingresso dos evangélicos na política ao uso da mídia. “O avanço dos evangélicos na política representa um projeto econômico bem articulado e a mídia é o principal instrumento para essa construção. Quanto mais expande o jogo político, concomitantemente se expande no jogo midiático. A IURD, por exemplo, através da mídia tem ampliado sua influência e conquistado visibilidade política”, acredita.

O pré-candidato da Igreja Universal para as eleições municipais de 2008 é o apresentador do programa televisivo Balanço Geral da TV Itapuã, Raimundo Varela. Varela se diz ‘candidato do povo’ e desmente a hipótese de ser candidato da Igreja Universal. “Não sou candidato da Universal, eu sou candidato do povo. O povo tem dito nas pesquisas, tem indicado meu nome já alguns anos desde a eleição de João Henrique, naquela época eu tinha 28% da preferência, no entanto não estavam nos meus planos de entrar na política.”afirma.

Para a obreira e jornalista Cíntia Carneiro, Varela tem utilizado a mídia para se promover politicamente. “Varela insiste em uma coisa nada inovadora que eu particularmente não acredito, por que com vidas não se brinca, especialmente quando se trata de vidas carentes. O fato dele ainda ocupar um lugar de audiência na televisão baiana tem relação com a carência da população. O carisma e renome que ele tem é devido aos que participam do programa ”, alega.

Segundo Junior, Varela é homem-chave no projeto político-econômico da IURD na Bahia. “Ele é o comunicador que ajuda construir a idéia de uma justiça embalsamada. Tem grandes chances de ganhar, pois está na mídia e angaria muitos pontos, no entanto sua eleição para prefeito de Salvador vai depender da correlação de forças políticas, ou seja, das outras candidaturas”, analisa.

Histórico Político – Segundo a matéria publicada no Correio Braziliense em 12 de outubro de 2002, o apoio de líderes evangélicos fizeram grande diferença nas eleições presidenciais de 2002. Lula teve apoio declarado das igrejas Metodista, Batista, Sara Nossa Terra, Igreja Universal e pastores da Assembléia de Deus, que não seguiram a decisão das duas principais convenções da igreja de apoiar Serra. “Foi o momento na história em que houve maior aproximação entre política e religião”, analisa Junior.

Os evangélicos também demonstraram sua força política nas eleições pelo governo da Bahia em 2006. Segundo matéria publicada no jornal A Tarde dia 2 de outubro de 2006, o Bispo Átila Brandão, líder da Igreja Batista Caminho das Arvores teve um número bastante significativo de votos e foi o terceiro colocado com 3,09% dos votos válidos. Átila Brandão é do Partido Social Cristão (PSC) e formou uma coligação com o partido do prefeito de Salvador, João Henrique, que também é evangélico.

“As igrejas pentecostais tem se baseado em uma nova ética política em que a corrupção é a antítese dos princípios cristãos. Para a maioria dos fiéis, votar não significa apenas um exercício da cidadania, mas um exercício de fé e defesa aos direitos dos evangélicos, por isso é que existe a prioridade em eleger homens e mulheres cristãos”, afirma Eronildes.

Política da Universal - A IURD iniciou a trajetória política em 1986 com a eleição de um Deputado Federal, de acordo com o artigo publicado na Revista Brasileira de Ciências Sociais em Outubro de 2003. Segundo matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo no dia 15 de Dezembro de 2005, a IURD conseguiu em 2005 o registro oficial de um partido político, o Partido Municipalista Renovador, que posteriormente recebeu o nome de Partido Republicano Brasileiro (PRB).

Na Bahia, a influência da mídia e do apoio político dos fiéis iurdianos, está explicito com a eleição do ex-deputado estadual Bispo Marcio Marinho. O radialista e Bispo da IURD foi eleito em 2002 com 47.516 votos, de acordo com dados da Assembléia Legislativa.

Do ponto de vista cultural e religioso, Junior acredita que o Brasil é um país plural, em virtude à diversidade religiosa, no entanto, para ele, não é descartado um projeto evangélico de poder político-econômico. “Caso algum grupo evangélico atinja o poder político máximo no país representará interesses econômicos e não necessariamente um domínio religioso. Se um dia algum grupo evangélico quiser exercer uma dominação religiosa e cultural será imediatamente repelido devido ter uma considerável predominância católica”, adverte.

Para Junior, religião não deveria interferir nas questões políticas e um candidato deveria enfrentar uma eleição independente daquilo que crê. “Em um país democrático religião deveria e deve ser do fórum privado das pessoas, já que a democracia pressupõe estados laicos, sem religião oficial. Portanto, qualquer pessoa que queira se candidatar a um cargo no legislativo ou executivo pode fazê-lo, independente da sua fé”, conclui.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Moradores de Xique- Xique reclamam da poluição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

O rio São Francisco é a principal renda dos moradores de Xique-Xique (BA) e é utilizado para geração de energia elétrica, irrigação, abastecimentos urbano e industrial, navegação, pescas e extração de areia. Registradas grandes enchentes no período de 1837 e1843, o rio enfrenta hoje uma das maiores crises da seca em conseqüência do baixo nível das águas. Atualmente nenhuma das embarcações fluviais de carga faz o percurso entre Pirapora e Juazeiro.
A falta de cheias decorrente principalmente também da construção de barragens tem sido uma das maiores queixas dos moradores. “A produção de energia é muito mal planejada. As construções das barragens, fez com que a vazão do Velho Chico fosse regularizada. Quase toda energia consumida na região é originada no complexo de hidroelétricas da CHESF instaladas no rio.”, acusa o morador Carlos Chargas.
Os ribeirinhos utilizam a água para tomar banho, lavar roupas e beber. Para eles, projetos como construções de hidroelétricas e transposição do rio São Francisco irão agravar ainda mais a situação de seca do rio. “O que o rio precisa ser tratado. Ele está morrendo, assim como muitas pessoas que dele necessita. O uso para a irrigação, transporte, consumo da água, comércio de peixes e a cultura dos ribeirinhos tem sido colocados em segundo plano.”, reclama o pescador Jasiel Ferreira.
Bispo Diocesano da cidade de Barra (BA), Luiz Cáppio, acredita que as águas do rio não estão mais em condição de ser consumida em virtude da poluição."A população está sendo envenenada em decorrência dos projetos de irrigação com uso dos agrotóxicos.Acredito que a causa do grande número de crianças com deficiência mental fosse também em conseqüência da poluição do rio São Francisco.", afirma.
Na pescaria, o conhecido peixe Curimatã, tornou-se difícil de ser encontrado no rio, em virtude disso, passou a ser importado de outros países e distribuído em Irecê, Feira de Santana, e no estado de Sergipe. “Está cada vez mais raro à pesca do Curimã. Antigamente saiamos de Xique-Xique para pescar, hoje precisamos navegar em pleno lago de Sobradinho em busca do mesmo pescado. Além disso, o peixe passou a ser importado de outros lugares, como Argentina, com a seca e a poluição do rio estamos perdendo nosso meio de sobreviver”, conclui Ferreira.

Palestra discute sobre Transposição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

“O projeto de transposição beneficiará apenas uma parte da superfície do semi-árido que representa 5%. Nas barragens da região do Seridó no Rio Grande do Norte, em que tem um dos maiores de secas do Nordeste, não receberão as águas da transposição. A água vai ficar nas mãos de quem menos precisa”. A acusação foi feita pelo Frei Dom Luiz Cappio, um dos mais ferrenhos opositores à Transposição do Rio São Francisco na Bahia, na última quarta feira, 10 de outubro, durante a palestra ‘O caminho do planeta: preservar ou destruir?’, no Costa Verde Tennis Clube.
Durante o evento, Dom Luiz Cappio que realiza estudos sobre o Rio São Francisco, relatou sobre a polêmica da transposição do rio. Segundo ele, o problema do semi- árido não têm sido a falta de água, mas a má distribuição. “A transposição não soluciona o problema da falta de água. O projeto de transposição do rio visa concentrar a água em reservatórios que atendem às áreas urbanas ou às grandes produções irrigadas, ou seja, quem mais precisa não será beneficiado com esse projeto”, afirma.
Cappio acusa às iniciativas do projeto como um jogo de interesses em que irá beneficiar parte da população. Segundo ele, cerca de 80% dos açudes públicos do Nordeste não estão disponíveis para a população em decorrência a influência político-econômica na distribuição da água.
Um dos motivos discutidos pelos movimentos sociais contrários a integração do Rio São Francisco é que o projeto vai elevar o preço das tarifas de água e luz, em conseqüência dos altos custos de operação e manutenção do sistema. “A água bruta no Nordeste não é cobrada e as famílias da região pagam apenas pelo bombeamento da fonte de suprimento até a área agrícola.”, discute.
Cappio defende a necessidade de revitalização e acredita que devam existir soluções de distribuição das águas, para que sejam acesso de todos. “Um anêmico não pode doar sangue. Não tem como distribuir águas de um rio que se encontra poluído pelo esgoto e pelos agrotóxicos despejados. Tornar o rio saudável é prioridade.”, adverte.
Durante o evento, Dom Luiz Cappio deu exemplos de transposições que não deram certo em países como a China, Espanha, Estados Unidos, Peru e a Índia, e que atualmente enfrentam problemas de racionalização dos recursos hídricos.

Governo da Bahia discute sobre Projeto de Revitalização do Rio São Francisco

O Grupo de Trabalho do São Francisco realizou nos dias 27 e 28, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), o Seminário ‘Olhares sobre a Revitalização da Bacia do São Francisco’. O evento teve como objetivo informar as comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, sociedade civil e governo do Estado sobre as ações realizadas na Bahia do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco. Pela primeira vez, o governo do Estado abre uma discute com a sociedade sobre o tema.
“Esse evento é de extrema importância, pois discute as propostas sobre a transposição e o que tem sido feito no nosso Estado. As pessoas precisam ter contato com esse projeto por que o Rio São Francisco é um patrimônio de todos nós.”, afirma Iraci dos Santos Ribeiro, da comunidade quilombolas.
O Grupo de Trabalho (GT) formado por responsáveis do Ibama, Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério, foi instituído pelo Governador Jaques Wagner no inicio do ano com intuito de acompanhar as ações do governo federal na Bacia do Rio São Francisco e estabelecer diálogo com à sociedade sobre o rio.
O seminário tem como objetivo agregar a diversidade dos setores sociais e construir uma análise crítica do modelo de desenvolvimento sócio-econômico da bacia, sua biodiversidade e suas gentes. A informação foi dada pelo coordenador do projeto, Julio Rocha, que realizou a palestra Olhar baiano sobre a Revitalização, na última sexta feira. “O nosso interesse é a revitalização do rio para que as comunidades tenham acesso à água e esta será a oportunidade de analisar as ações concretas do processo. É fundamental à participação da sociedade para que sejam esclarecidas as questões sobre o rio e o que tem sido feito a respeito” afirmou.
Estiveram presentes representantes do Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Integração Nacional, do Fórum de Defesa do São Francisco, do Ministério Público, da Agência Nacional de Águas, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, algumas secretarias do Estado e etc. Além disso, as palestras contaram também com a participação de representantes de comunidades indígenas, quilombolas, da Fundação de Estudo de Pesquisas Aquáticas e dos Comitês de Bacias Hidrográficas entre outros movimentos sociais.
“É necessária a participação ativa da população em debates, principalmente quando é realizado pelo governo, pois defendemos nossos direitos como cidadãos e tiramos nossas dúvidas. A Transposição do Rio São Francisco é um tema que deve ser discutido pelo governo com a participação ativa do povo”, discute o representante do Movimento Sem Terra (MST), Wedes Valeriano Queiroz.

Análise da Mídia na cobertura do caso Renan Calheiros

A presunção é uma sentença antecipada e não permanente, considerada válida até a sentença final. Assim, a “presunção de culpa é um juízo de culpabilidade mantido até que não tenha sido aduzida uma prova em contrário; e significado análogo tem as expressões presunção de verdade, presunção pró ou presunção contra uma proposição qualquer.” (ABBAGNANO Nicola, 1982).
A Presunção da Culpa contrapõe a Presunção da Inocência, principio assegurado no Artigo 5º da Constituição de 1988, em que "ninguém será considerado culpado até o trânsito julgado de sentença penal condenatória". No Jornalismo, a Presunção da Culpa é um dos aspectos que comprovam a incidência da falta de ética, visto que alguns meios de comunicações vêem nas acusações uma sentença judicial e acabam divulgando os fatos sem que haja um aprofundamento na apuração, colocando em risco à integridade do individuo que está sendo alvo das denúncias.
Segundo o jornalista Venício A. Lima, pós-doutor em comunicação e professor da UNB (Universidade de Brasília), os jornalistas têm como obrigação respeitar ao principio da inocência, mesmo que tenha uma opinião diferente sobre o assunto. A pessoa envolvida nas acusações deve ser tida como inocentes, até que se prove o contrário.
“A obediência a este princípio, portanto, é dever elementar de qualquer jornalista, independentemente das informações que obtenha e de sua convicção pessoal. Não importa, portanto, que em data futura a presunção da inocência venha, eventualmente, a se confirmar correta. O que importa é o direito dos acusados de serem tratados como inocentes até que a Justiça prove o contrário". (LIMA, Venício A. p.14)


No artigo, Venício Lima cita alguns casos da manipulação por parte da imprensa que reforçaram a presunção de culpa, trata-se de Escândalos Políticos Midiáticos (EPM). De acordo com o texto, EPM “é o evento que implica a revelação, através da mídia, de atividades previamente ocultadas e moralmente desonrosas, desencadeando uma seqüência de ocorrências posteriores” (LIMA, Venício A. p. 13)
O escândalo envolvendo o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), é um dos exemplos de um EPM. Se não fosse a mídia, talvez os escândalos pudessem não ter vindo à tona, visto que um órgão de imprensa foi o responsável pela acusação que Renan teria utilizado dinheiro público para interesses pessoais.
A mídia, muitas vezes, ao fiscalizar o governo, comete alguns abusos éticos que podem interferir no curso dos acontecimentos. Muitas pessoas que se envolveram em escândalos, tiveram a reputação destruída, ainda que depois fossem consideradas inocentes, não tiveram direitos de resposta.
Durante as investigações envolvendo o senador, a revista Veja vinculou uma serie de publicações em que acusava Calheiros de envolvimento em práticas irregulares. O caso Renan Calheiros passou a ser conhecido como ‘Renangate’, fazendo alusão ao escândalo político ocorrido na década de 70, nos Estados Unidos, envolvendo dois repórteres do Washington Post que descobriram o envolvimento do Richard Nixon em práticas irregulares. O Watergate é o mais conhecido EPM, o qual mostrou à grande influencia da mídia em fiscalizar governos e denunciar publicamente seus desvios, além de ter sido marco no jornalismo investigativo.
A edição do dia 19 de Setembro, publicada logo após a absorção de Renan Calheiros da acusação de quebra do decoro parlamentar, traz uma reportagem sobre a decisão dos senadores de inocentar Calheiros. A revista acusa os senadores de terem inocentado Calheiros, em conseqüência de chantagens, ameaças e troca de favores. “Com acordos às escondidas, ameaças, chantagens e protegido pelo anonimato, um grupo de 46 senadores desferiu na semana passada um golpe letal contra a credibilidade do Senado Federal e dos políticos em geral.” (VEJA, p.49)
Em O poder simbólico (1989, p.189) Bourdieu se refere ao jornalista “detentor de um poder sobre os instrumentos de comunicação de massa que lhe dá um poder sobre toda a espécie de capital simbólico – o poder de ‘fazer ou desfazer reputações’, de que o caso Watergate deu uma medida”.
A revista Veja, põe Renan a todo o momento na condição de culpado e não na condição de suspeito como deveria ser tratado. É importante ressaltar também que, a revista faz referência aos escândalos do senador, relacionando-os com o Partido dos Trabalhadores (PT), como se o partido tivesse envolvido em algumas práticas irregulares que Renan tinha conhecimento, e em troca do silêncio de Renan, o partido iria votar contra a cassação do mandato.
“Na surdina, o governo e o PT se associaram a Renan para costurar um acordo que garantiu a salvação do mandato do senador – desta vez à custa de grandes e dispendiosos favores, com ingredientes de chantagem e ameaça e com a participação de personagens conhecidos pela atuação heterodoxa no submundo da política.” (VEJA, p.50)

De acordo com a revista, o senador e o PT buscaram a absorção por meio de chantagens e trocas de valores. No entanto, a revista não comprova as afirmações e não apresenta nenhuma fonte que esclareça melhor o assunto.

“Com os petistas no bolso, bastaram algumas operações laterais para sacramentar a vitória de Calheiros. Sabe-se que Renan e seus aliados conseguiram buscar votos na oposição, à custa de chantagem, cobrança ou promessas de favores. Senadores que se diziam indecisos em público fizeram pacto de sangue com Renan no privado.” (VEJA, p.52)

A edição do dia 19 de setembro é um exemplo claro de que a revista Veja utiliza-se da manipulação das informações, muitas vezes, salientando, distorcendo e supondo fatos para defender os próprios interesses políticos. A Veja supõe que alguns fatos tenham acontecido e muitas vezes não apresenta provas que comprovem a afirmação.
A revista Veja relata conversas e negociações que aconteceram entre a senadora Roseana Sarney, outros senadores e o presidente Lula antes da votação, no entanto não apresenta nenhum fato que comprove as conversas que aconteceram em “off” e nem como a revista teve acesso às informações que foram conversadas.

“A senadora disse que estava muito preocupada com os últimos acontecimentos e, principalmente, com as adesões de parlamentares petistas à tese da cassação. Como se tivesse portando um recado, Roseana advertiu: ‘A pior coisa que pode acontecer ao governo é ter o Renan como inimigo’.” (VEJA, p. 50)

A revista também relata sobre um telefonema que o senador José Sarney teria feito para Renan, em que advertia o senador sobre as chances de ser absorvido. Outro relato apresentado pela revista é uma conversa entre ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, o senador Aloizio Mercadante e Sarney. Segundo Veja, os líderes políticos combinaram de procurar Renan que iria possibilitar a absorção de Renan.
“... caso ele (Renan) sinalizasse que se afastaria temporariamente do cargo após a votação, o governo e o PT trabalhariam no plenário para absolvê-lo. Já era madrugada de quarta, dia da votação, quando o grupo desembarcou na base aérea. Sarney levou a proposta de afastamento ao presidente do Congresso, que, de início, hesitou, mas acabou aceitando depois de receber a garantia de que não haveria traição entre os petistas.” (VEJA, p.52)

A reportagem também apresenta uma fonte, no entanto ela não é identificada. Segundo a Veja, “um senador da oposição, que zelou como se fosse um xerife pela aprovação do processo de cassação, procurou o presidente do Congresso e lhe confidenciou que sua posição não passava de um teatro para seus eleitores. Ele estava agradecido pelo belo emprego no governo que Renan arrumou para um de seus filhos.” (p.52)
Utilizando-se da teoria da Presunção da Culpa e partindo dos fatos irrefutáveis apresentados pela revista Veja, podemos perceber que a revista não preserva a integridade das fontes, julga e condena previamente as pessoas envolvidas no caso e não comprova a veracidade dos fatos.

Visão Mundial encerra parceria com a CECOM

O Centro Comunitário Batista Clériston Andrade foi criado em 1974, pelos membros da Igreja Batista da Graça com objetivo de promover à comunidade saúde, desenvolvimento e educação. E assim oferece para a população de baixa renda assistência nas áreas física, intelectual, psico-social e espiritual, contando com apoio de diversas instituições. O Centro desenvolve ações preventivas de saúde, ensino infantil e fundamental, inclusão digital, cursos de culinária a artesanato, além de estimular a comunidade para desenvolver alternativas para o próprio sustento.
A Igreja Batista da Graça é que mantém o projeto, no entanto a organização tem outros convênios. “Tínhamos a parceria com a Visão Mundial desde 29 de Dezembro de 1986 que foi encerrada em setembro deste ano. No entanto, o encerramento foi apenas formal financeira, mas a parceria continua informal. Agora mesmo, eu e mais quatro pessoas da CECOM, estamos fazendo um curso promovido pela Visão. A parceria de troca de cooperação continua.”, declara a presidente da instituição Irma Andrade Pereira de Oliveira.
De acordo com Oneide Costa Lima, primeira secretaria da Cecom, a Visão Mundial era responsável por cerca 50% da receita. Em conseqüência do fim da parceria, muitos projetos que funcionavam em função disso foram desativados, como serviço de atendimento ao cliente (SRC).
“A Visão Mundial trabalha com o apadrinhamento de crianças e tem toda estrutura para se dê atenção a essas crianças, façam levantamento e o acompanhamento como eles esperam. Esse projeto, que era mantido por conta visão, será cessado até que possamos direcionar a outros convênios”, afirma Oneide.
Um dos motivos apontados para o fim da parceria está relacionado ao fato que a Visão Mundial está desenvolvendo outro projeto com a comunidade de Cajazeiras que atenderá cerca de 5mil crianças. “Todas as outras parcerias com outras instituições em Salvador foram encerradas, entre elas a CECOM. Há algum tempo, estamos desacelerando atividades por conta do encerramento. Geralmente, a Visão previa uma parceria com uma instituição que poderia durar de cinco a dez anos, conosco eles ficaram 21 anos”, diz.
Outro motivo é o fato que a Visão colabora coma instituição até que ela torne-se auto-suficiente. “Com ajuda da Visão muitos projetos foram desenvolvidos e a comunidade hoje está muito melhor. Projetos que foram cessados devido ao fim da parceria foram inseridos de maneiras transversais a outros projetos, como Iniciativa Esperança que trabalha na prevenção do HIV e acolhimento de pessoas com AIDS que foram inseridos em outros projetos da área de saúde.”, afirma Irma.
A Cecom tem desenvolvido alternativas de sustentabilidade com ajuda dos membros da Igreja Batista e outras pessoas que estejam dispostas a colaborar. Atualmente recebe recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS), aluguéis do estacionamento, bazar que acontece nas terças-feira, eventos promovidos pela instituição, Projeto do Programa de Educação Tributária ‘Sua nota é um show’, doações, além da ajuda financeira da Igreja Batista da Graça.
Atualmente a CECOM tem parcerias com a Igreja Batista da Graça (IBG), Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC – BA), escolas de enfermagem e Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), escola de serviço social e enfermagem da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Secretaria de Saúde do Município de Salvador, Núcleo de Estudos e Práticas Psicológicas da UNIFACS – NEPPSI, projeto Fome Zero, além de voluntários.

Conscientização e respeito podem evitar acidentes no trânsito

Em conseqüência do grande índice de acidentes envolvendo pedestres na Avenida Luis Viana Filho, a Paralela, foi construída a passarela que liga as Faculdades Jorge Amado e Unifacs. A passarela que tem 260 metros de extensão foi construída após reivindicações dos estudantes.
A Paralela é cenário de muitos acidentes, principalmente envolvendo pedestres e estudantes. No ano passado, foram registrados 1.076 acidentes de trânsito na avenida, resultando na morte de 13 pessoas. Em 2005, por exemplo, morreu vítima de atropelamento a estudante do curso pré-vestibular solidário da Faculdade Jorge Amado, Benedita Maria dos Santos.
Com a construção da passarela que beneficia estudantes, funcionários da instituição e moradores, os pedestres passaram circular com segurança pela avenida. Estima-se que cerca de 5mil pessoas circulam diariamente no local. No entanto, a passarela é apenas uma das formas de evitar casos de acidente graves. Outras maneiras eficientes são o uso da faixa de pedestre, o respeito por parte dos motoristas aos pedestres que atravessam a faixa e à sinalização.
Apesar da incidência de acidentes na avenida, muitos pedestres continuam atravessando fora das faixas, passarelas e quando o sinal está fechado. O que nota-se é a falta de conscientização das pessoas sobre a importância do uso e respeito da faixa de pedestre. A população precisa também estar alerta aos cuidados ao fazer a travessia nas faixas onde não há semáforo.
A conscientização deve partir também dos motoristas, que têm o dever de parar, mesmo que não tenha semáforo, antes da faixa. Além disso, os motoristas devem respeitar as sinalizações e reduzir a velocidade quando aproximar da faixa.

O incentivo á Educação Ambiental

Professores discutem a importância da inclusão da matéria Educações Ambientam nos parâmetros curriculares.
Por Débora Suellen

A Educação Ambiental não é ministrada como uma disciplina especifica nas instituições de ensino brasileira, no entanto, ela é integrada a outras matérias como Geografia, Biologia e Ciências. Em Salvador, as instituições educativas promovem a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais, organizando projetos, palestras e workshops visando à cidadania e incentivando a conscientização dos alunos sobre o Meio Ambiente.
“Este mês estamos fazendo uma exposição sobre Fauna & Flora envolvendo alunos da 1º á 4º série. Eles ainda não têm entendimento sobre a importância da preservação e conservação do meio ambiente, mas é preciso que estejam sendo ensinados para que tornem jovens e adultos conscientes.”, adverte a diretora da Escola Maanaim, Mônica Sandrina Ramos.
Na educação escolar, o Meio Ambiente é um projeto desenvolvido no âmbito dos currículos das instituições educativas em todos os níveis de ensino. “A educação ambiental utiliza-se do processo pedagógico criando nos alunos uma consciência sobre os problemas ambientais decorrentes da ação humana. É indispensável que haja o ensino sobre meio ambiente, juntamente com programas voltados à preservação.”, explica a pedagoga do Colégio Gregor Mendel, Albani Borges de Oliveira.
Em 1999, entrou em vigor a Lei N° 9.795, que dispõe sobre a Educação Ambiental nas instituições de ensino, no entanto a lei dispõe que não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino. Alguns professores, como Mário Albuquerque, discordam que a Educação Ambiental seja ensinada como conteúdo interdisciplinar.
“Devido tantos problemas, como aquecimento global, extinção de animais e desmatamento, é necessário perceber a importância do ensino. Discordo que a disciplina continue sendo ministrado como conteúdo informal. A matéria deve ser incluída nas grades curriculares até mesmo para servir como solução a essas problemáticas envolvendo Meio Ambiente”, conclui.

Movimentos se unem contra a integração do Rio

Lançado no inicio deste ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem como objetivo destinar recursos para investir na integração ou transposição do Rio São Francisco. O projeto consiste na construção de canais de cimento que irão fazer a transferência do “Velho Chico” para rios e açudes do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, que têm o volume diminuído no período de estiagem. Esse processo permite que parte do volume do rio que deságua no mar será captada, garantindo o consumo nas regiões semi-áridas da Região Nordeste, o que significa grande investimento por parte dos cofres públicos.
No entanto, a polêmica sobre a Transposição do Rio São Francisco continua dividindo opiniões que discordam da iniciativa. Movimentos sociais, políticos e uma parcela da população querem que o tema seja mais exposto, principalmente para a população nordestina.
O sociólogo Ruben Siqueira, um dos organizadores dos protestos que aconteceram em Brasília, acredita que a transposição do rio vai fazer com que o valor da água fique ainda maior. De acordo com ele, não foram realizados nenhum estudo sobre os impactos ambientais. Uma das perspectivas do projeto é fazer o desvio das águas do Tocantins para o São Francisco o que poderá ser ainda mais grave por se tratar de dois biomas diferentes
Segundo os índios do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), é necessário que haja a revitalização do rio que possibilitará a criação de empregos para as pessoas que precisam. “O problema é que a revitalização é um trabalho em longo prazo e dá menos visibilidade ao governo. O projeto de transposição é um crime, pois difunde a idéia de água fácil para todos e joga por terra todo o esforço em educar as populações que vivem na bacia do São Francisco. Todos os estados do Nordeste têm água suficiente para abastecer suas populações, o problema é que esta água é mal aproveitada.”, adverte os indígenas.
Os Movimentos Sociais contrários a transposição, afirmam desejar que o rio seja preservado e revitalizado, no entanto só irão aceitar a proposta caso recebam da Agência Nacional de Águas (ANA), de outros institutos de pesquisa e de representantes do governo, a garantia de que a população nordestina não será prejudicada.

Bióloga discute sobre projeto de transposição do rio São Francisco

Por Débora Suellen

O projeto de transposição do Rio São Francisco constitui na transposição de parte das águas do rio para pequenos rios e açudes da região Nordeste que possuem um déficit hídrico durante o período de estiagem. No entanto, movimentos sociais e profissionais que desempenham pesquisas na área, mostram-se contrários ao projeto de transposição por acreditarem que o projeto beneficiará políticos, agricultores e não a população carente.
A bióloga Edilene Nascimento Souza, pós graduada em gestão ambiental, é uma entre muitas pessoas que se posicionam contra a transposição do rio, por acreditar que o projeto terá benefícios políticos e não sociais. “O projeto que tem como promessa de matar a sede da população nordestina servirá apenas aos interesses de políticos. Para mim, como pessoa e não como profissional, o projeto no papel tende a beneficiar aqueles que sofrem com a falta d’água, mas na prática ele beneficiará mesmo o político que estiver por trás, caso a transposição dê certo.”, afirma.
Para ela, a transposição é uma questão muito polêmica que caso fosse colocado em prática como deveria, ajudando a população carente do semi-árido nordestino, poderia contribuir muito para diminuir a escassez de água. No entanto, do ponto ambiental, Edilene adverte que a transposição poderá gerar impactos ambientais. “Com a transposição do rio problemas ambientais poderão ocorrer como assoreamento em conseqüência dos desmatamentos nas margens e diminuição do leito do rio que futuramente pode não existir.” adverte.
De acordo com a bióloga, a alternativa para o Nordeste está relacionada à má utilização da água e a poluição do rio. “É necessário que as pessoas saibam usar e não desperdiçar a água. Não existe estímulo para conservação da água, é obrigação do governo mostrar como e o que deve ser feito. Além disso, é importante também pensar na revitalização, pois não se pode oferecer uma água que se encontra poluída", conclui.

Bispo retoma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

Dois anos após fazer jejum por onze dias em protesto contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, o bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio resolveu retornar a greve de fome devido ao descumprimento do acordo feito com o presidente Lula em 2005.
“O presidente Lula prometeu suspender as obras e abrir o diálogo com a sociedade. Esse acordo foi feito para que eu suspendesse a greve de fome e diminuísse a polêmica sobre a transposição”, afirma Cáppio. De acordo com ele, o governo havia assumido o compromisso de abrir discussão participativa com a sociedade civil, até que houvesse a construção de um Plano de Desenvolvimento Sustentável que fosse baseado na convivência com todo o Semi-Árido e priorizasse a população mais pobre.
“O rio São Francisco não é uma propriedade privada, por isso o futuro dele tem que ser discutido com a população. O governo não tem o direito de nos privar disso. O que vai acabar com a seca é a convivência com o semi-árido. Iniciativas como as ações da Articulação do Semi-Árido são propostas que podem garantir o abastecimento de água para toda a população nordestina”, declara.
Para ele, o governo não tem nenhum compromisso com a sociedade e não houve nenhuma sensibilização diante das inúmeras mobilizações da sociedade brasileira. Em Outubro deste ano, Cáppio esteve em Salvador onde ministrou uma palestra contra o projeto de transposição. Fundador do projeto ‘Uma vida pela Vida’, ele acredita que a sua atitude significa doação da vida dele em favor do rio e da população.
Através da greve de fome, Cáppio acredita que possa sensibilizar o governo e fazer com que seja arquivado o projeto de transposição do Velho Chico. No entanto, a atitude de Cáppio foi encarada como chantagem pelo governo e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, declarou em entrevista aos veículos de comunicação que levará adiante o projeto de transposição.

Professor acusa projeto de transposição do Rio São Francisco de não analisar os impactos sócio-ambientais

Por Débora Suellen


O Velho Chico vem sendo enfraquecido por ações políticas movidas por grupos de interesse e por projetos que irão afetar as relações ecológicas e sociais no rio como declara o professor de geografia da Universidade Federal da Bahia, Antonio Puentes Torres. “Os organizadores dos projetos não tem considerado as possibilidades que a interferência na natureza provocaria na região. Além disso, não se tem feito levantamentos sobre a complexidade sócio-espacial da região e sobre os impactos sociais, econômicos, políticos e os processos da natureza e da sociedade”, declara.
Torres tem experiência na área de Hidrologia, Bacias Hidrográficas e Estudos Integrados do Meio Ambiente. Segundo ele, o projeto está focado em área de clima semi-árido em que há uma pequena precipitação pluviométrica e a presença de temperaturas elevadas, isso significa que a transposição de rios localizada em clima semi-árido pode provocar conseqüências que não estão sendo analisadas.
“A maneira como o projeto está sendo proposto é um equívoco. Não se pode por em prática o projeto de transposição do Rio São Francisco sem considerar questões importantes como os impactos ambientais que eles podem causar. É necessário que se faça uma análise mais complexa, antes que comece um projeto sem que tenha consciência das conseqüências”, adverte.
Torres acredita que não adianta levar água para uma região em que a concentração fundiária é o principal obstáculo a ser transposto. “Não adiantaria também levar água para uma região onde as pessoas não têm terra e transpor um rio em que suas águas encontram-se poluídas. O que deve ser feito é solucionar problemas que envolvem a questão e expor as pessoas quem serão os beneficiários da água”, afirma.
Para ele, a sociedade deveria ter acesso aos propósitos do projeto e debater sobre esse tema. “A natureza tem que ter a participação de todos e não pode ter fronteira administrativa, é direito das pessoas que as águas do rio São Francisco sejam beneficio de todos. É necessário favorecer a participação ativa das pessoas na discussão e na busca de soluções para os problemas impostos ao São Francisco”, conclui.

Geólogo acusa projeto de transposição do Rio São Francisco de Marketing Político

Por Débora Suellen

“O projeto que visa mostrar a transposição do São Francisco como solução para a escassez de água do Nordeste é um marketing político para sensibilizar e confundir as pessoas menos informadas e esclarecidas”, a acusação é feita pelo geólogo Dilermando Alves do Nascimento que dedica aos estudos sobre Hidrogeologia e da Hidroquímica das águas da região.
Nascimento é autor de boletins e pesquisas que discutem sobre a iniciativa do Governo Federal de transpor parte das águas do rio. Segundo ele, não existe falta de água, mas uma má distribuição em conseqüência da falta de gerenciamento dos recursos hídricos. “O fato é que existe excedente hídrico na Região Setentrional acumulado nas grandes barragens, o suficiente para atender a demanda da população. No entanto, as águas não foram canalizadas para que chegasse ao acesso de todos.”, acrescenta.
De acordo com Nascimento, o fato da presença da água na região nordestina não ter resolvido problemas das secas, mostram que esses problemas não serão solucionados com a oferta de água, pois a região tem água suficiente para atender a demanda da população, entretanto a ausência de ações por parte dos governantes na aplicação de medidas estruturais não permitem a distribuição de água.
Nascimento acredita que a construção de obras como as Barragens Subterrâneas, Implantação de Cisternas para captação de água de chuva e a dessalinização de água de Poços Tubulares seriam as alternativas mais eficientes para solucionar o problema da ‘falta de água’ no semi-árido nordestino. “Além da geração de empregos, isso permitiria levar água aos lugares mais afastados onde as obras de engenharia, com a construção de adutoras e túneis para distribuição, são economicamente inviáveis”, conclui.

sábado, setembro 29, 2007

FotoArte - Fotografias dos Quadros de artistas do Pelô



O Centro Histórico de Salvador já foi palco de celebridades como Michael Jackson e Paul Simon. No entanto, o Pelourinho também é lugar de outros artistas que vivem no anonimato e não possuem destaque, mas que através dos pincéis e telas mostram que tem talento e arte.


As pinturas têm formas e gêneros diversos, algumas são abstratas, retratos de pessoas ou de alguns pontos turísticos de Salvador, outras representam alguns ícones da cultura baiana como capoeira, danças, baianas ou a religião como o candomblé.