
Resolvi debater sobre a questão da África por que é um tema que chama minha atenção, que vai de encontro as nossas raízes e nos fazem enxergar a realidade de uma outra maneira. Esperam que gostem e simplesmente não se limitem a ler, reflitam. A África precisa de pessoas como nós para garantir um futuro para aquelas crianças, precisa de pessoas que possam ter ânsia de lutar e construir uma realidade diferente das que eles conheceram, precisam de profissionais que possam ir e mudar aquela realidade. Isso não é gratidões e fantasias é responsabilidade social.
Em 2010 a Copa do Mundo será na África do Sul e o que mais nos intriga é a razão que escolheram logo a parte rica da África e não há “África dos Miseráveis”. Mesmo com o dito fim da “apartheid”, ainda vivemos separados, tentamos esconder sempre aquilo que nos causa “vergonha”, maquiamos a realidade, talvez por que isso possa ‘sujar’ a imagem. Vivemos de aparências e tentamos mostrar aos outros uma realidade projetada por nós.
Negar a África é negar a própria cultura, pois foram os negros africanos que ajudaram a construir milhares de nações quando foram obrigados a serem escravos e enriqueceram os nossos costumes fazendo uma mistura de etnia. Os primeiros miseráveis foram os escravos, e mesmo após a abolição a África continua vivendo sobre condições escassas. No entanto, o que acontece são uns descasos à dignidade humana, direitos humanos que muitos prezam tortam-se utopias. Se não há comida, como esperar um desenvolvimento sustentável? O que se tem são apenas crianças não verão o nascer do sol, sonhos e planos serão sepultados com essas vidas. O que será desse povo? A única expectativa que se tem é que se não forem ajudados, eles serão apenas cinzas.
Atualmente, o continente foi entregue ao esquecimento, milhares de pessoas sofrem com a falta de comida, as famílias passam a fazer uma refeição ao dia, no entanto não há alimentos para todos, estima-se que um em quatro habitantes passa fome o que representa 800 milhões de pessoas onde 180 milhões não têm o que comer. A situação é comparada a Etiópia em 1984 quando 500mil pessoas morreram o que representou um terço da população,estima-se que na África 12,8 milhões de pessoas possam morrer vítimas da desnutrição caso não houver soluções imediatas. Alguns países já declararam estado de emergência, mas o que se tem é apenas esperanças em amanhãs que talvez não cheguem.
A seca é outro fator que agrava cada vez mais a escassez de alimentos, todo ano destrói a maior parte das plantações de milho que é uma das bases de alimentação da população. É importante ressaltar também, que a maioria dos milhos é destinada à exportação, enquanto um grande percentual da população local sofre com a fome o que demonstra uma má distribuirão de comida.
A situação de pobreza é lastimável, a expectativa de vida caiu para 40anos, cerca de 260 dos 783 milhões de habitantes da África vivem com menos de um dólar ao dia o que é considerado abaixo do nível de pobreza definido pelo Banco Mundial. A miséria dá lugar a doenças como a Aids onde o número de pessoas contaminadas com o vírus HIV chegam a 28,5 milhões. A doença ataca, majoritariamente, a faixa etária mais produtiva da população (dos 15 aos 49 anos) o que consequentemente prejudica a economia e o desenvolvimento da África. A maioria dos contaminados são mulheres, o que faz com que famílias fiquem sem estrutura e produz milhares de órfãos.
Reivindicar os direitos da África, não é querer ser sensionalista, mas é perceber que existem pessoas no mundo que clamam por ajuda e precisa que a miséria seja combatida através de ações de países desenvolvidos e que possuem uma qualidade de vida melhor. Precisa-se de pessoas que se disponibilizem a ajudar os africanos, profissionais que possam ser voluntários e transmitir conhecimento para esse povo garantindo a integração social promovendo os direitos humanos para que sejam para todos, mas para que isso ocorra deve se reconhecer à educação como papel importante para o desenvolvimento social, saúde e cultura.

