segunda-feira, dezembro 10, 2007

Moradores de Xique- Xique reclamam da poluição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

O rio São Francisco é a principal renda dos moradores de Xique-Xique (BA) e é utilizado para geração de energia elétrica, irrigação, abastecimentos urbano e industrial, navegação, pescas e extração de areia. Registradas grandes enchentes no período de 1837 e1843, o rio enfrenta hoje uma das maiores crises da seca em conseqüência do baixo nível das águas. Atualmente nenhuma das embarcações fluviais de carga faz o percurso entre Pirapora e Juazeiro.
A falta de cheias decorrente principalmente também da construção de barragens tem sido uma das maiores queixas dos moradores. “A produção de energia é muito mal planejada. As construções das barragens, fez com que a vazão do Velho Chico fosse regularizada. Quase toda energia consumida na região é originada no complexo de hidroelétricas da CHESF instaladas no rio.”, acusa o morador Carlos Chargas.
Os ribeirinhos utilizam a água para tomar banho, lavar roupas e beber. Para eles, projetos como construções de hidroelétricas e transposição do rio São Francisco irão agravar ainda mais a situação de seca do rio. “O que o rio precisa ser tratado. Ele está morrendo, assim como muitas pessoas que dele necessita. O uso para a irrigação, transporte, consumo da água, comércio de peixes e a cultura dos ribeirinhos tem sido colocados em segundo plano.”, reclama o pescador Jasiel Ferreira.
Bispo Diocesano da cidade de Barra (BA), Luiz Cáppio, acredita que as águas do rio não estão mais em condição de ser consumida em virtude da poluição."A população está sendo envenenada em decorrência dos projetos de irrigação com uso dos agrotóxicos.Acredito que a causa do grande número de crianças com deficiência mental fosse também em conseqüência da poluição do rio São Francisco.", afirma.
Na pescaria, o conhecido peixe Curimatã, tornou-se difícil de ser encontrado no rio, em virtude disso, passou a ser importado de outros países e distribuído em Irecê, Feira de Santana, e no estado de Sergipe. “Está cada vez mais raro à pesca do Curimã. Antigamente saiamos de Xique-Xique para pescar, hoje precisamos navegar em pleno lago de Sobradinho em busca do mesmo pescado. Além disso, o peixe passou a ser importado de outros lugares, como Argentina, com a seca e a poluição do rio estamos perdendo nosso meio de sobreviver”, conclui Ferreira.

Palestra discute sobre Transposição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

“O projeto de transposição beneficiará apenas uma parte da superfície do semi-árido que representa 5%. Nas barragens da região do Seridó no Rio Grande do Norte, em que tem um dos maiores de secas do Nordeste, não receberão as águas da transposição. A água vai ficar nas mãos de quem menos precisa”. A acusação foi feita pelo Frei Dom Luiz Cappio, um dos mais ferrenhos opositores à Transposição do Rio São Francisco na Bahia, na última quarta feira, 10 de outubro, durante a palestra ‘O caminho do planeta: preservar ou destruir?’, no Costa Verde Tennis Clube.
Durante o evento, Dom Luiz Cappio que realiza estudos sobre o Rio São Francisco, relatou sobre a polêmica da transposição do rio. Segundo ele, o problema do semi- árido não têm sido a falta de água, mas a má distribuição. “A transposição não soluciona o problema da falta de água. O projeto de transposição do rio visa concentrar a água em reservatórios que atendem às áreas urbanas ou às grandes produções irrigadas, ou seja, quem mais precisa não será beneficiado com esse projeto”, afirma.
Cappio acusa às iniciativas do projeto como um jogo de interesses em que irá beneficiar parte da população. Segundo ele, cerca de 80% dos açudes públicos do Nordeste não estão disponíveis para a população em decorrência a influência político-econômica na distribuição da água.
Um dos motivos discutidos pelos movimentos sociais contrários a integração do Rio São Francisco é que o projeto vai elevar o preço das tarifas de água e luz, em conseqüência dos altos custos de operação e manutenção do sistema. “A água bruta no Nordeste não é cobrada e as famílias da região pagam apenas pelo bombeamento da fonte de suprimento até a área agrícola.”, discute.
Cappio defende a necessidade de revitalização e acredita que devam existir soluções de distribuição das águas, para que sejam acesso de todos. “Um anêmico não pode doar sangue. Não tem como distribuir águas de um rio que se encontra poluído pelo esgoto e pelos agrotóxicos despejados. Tornar o rio saudável é prioridade.”, adverte.
Durante o evento, Dom Luiz Cappio deu exemplos de transposições que não deram certo em países como a China, Espanha, Estados Unidos, Peru e a Índia, e que atualmente enfrentam problemas de racionalização dos recursos hídricos.

Governo da Bahia discute sobre Projeto de Revitalização do Rio São Francisco

O Grupo de Trabalho do São Francisco realizou nos dias 27 e 28, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), o Seminário ‘Olhares sobre a Revitalização da Bacia do São Francisco’. O evento teve como objetivo informar as comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, sociedade civil e governo do Estado sobre as ações realizadas na Bahia do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco. Pela primeira vez, o governo do Estado abre uma discute com a sociedade sobre o tema.
“Esse evento é de extrema importância, pois discute as propostas sobre a transposição e o que tem sido feito no nosso Estado. As pessoas precisam ter contato com esse projeto por que o Rio São Francisco é um patrimônio de todos nós.”, afirma Iraci dos Santos Ribeiro, da comunidade quilombolas.
O Grupo de Trabalho (GT) formado por responsáveis do Ibama, Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério, foi instituído pelo Governador Jaques Wagner no inicio do ano com intuito de acompanhar as ações do governo federal na Bacia do Rio São Francisco e estabelecer diálogo com à sociedade sobre o rio.
O seminário tem como objetivo agregar a diversidade dos setores sociais e construir uma análise crítica do modelo de desenvolvimento sócio-econômico da bacia, sua biodiversidade e suas gentes. A informação foi dada pelo coordenador do projeto, Julio Rocha, que realizou a palestra Olhar baiano sobre a Revitalização, na última sexta feira. “O nosso interesse é a revitalização do rio para que as comunidades tenham acesso à água e esta será a oportunidade de analisar as ações concretas do processo. É fundamental à participação da sociedade para que sejam esclarecidas as questões sobre o rio e o que tem sido feito a respeito” afirmou.
Estiveram presentes representantes do Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Integração Nacional, do Fórum de Defesa do São Francisco, do Ministério Público, da Agência Nacional de Águas, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, algumas secretarias do Estado e etc. Além disso, as palestras contaram também com a participação de representantes de comunidades indígenas, quilombolas, da Fundação de Estudo de Pesquisas Aquáticas e dos Comitês de Bacias Hidrográficas entre outros movimentos sociais.
“É necessária a participação ativa da população em debates, principalmente quando é realizado pelo governo, pois defendemos nossos direitos como cidadãos e tiramos nossas dúvidas. A Transposição do Rio São Francisco é um tema que deve ser discutido pelo governo com a participação ativa do povo”, discute o representante do Movimento Sem Terra (MST), Wedes Valeriano Queiroz.

Análise da Mídia na cobertura do caso Renan Calheiros

A presunção é uma sentença antecipada e não permanente, considerada válida até a sentença final. Assim, a “presunção de culpa é um juízo de culpabilidade mantido até que não tenha sido aduzida uma prova em contrário; e significado análogo tem as expressões presunção de verdade, presunção pró ou presunção contra uma proposição qualquer.” (ABBAGNANO Nicola, 1982).
A Presunção da Culpa contrapõe a Presunção da Inocência, principio assegurado no Artigo 5º da Constituição de 1988, em que "ninguém será considerado culpado até o trânsito julgado de sentença penal condenatória". No Jornalismo, a Presunção da Culpa é um dos aspectos que comprovam a incidência da falta de ética, visto que alguns meios de comunicações vêem nas acusações uma sentença judicial e acabam divulgando os fatos sem que haja um aprofundamento na apuração, colocando em risco à integridade do individuo que está sendo alvo das denúncias.
Segundo o jornalista Venício A. Lima, pós-doutor em comunicação e professor da UNB (Universidade de Brasília), os jornalistas têm como obrigação respeitar ao principio da inocência, mesmo que tenha uma opinião diferente sobre o assunto. A pessoa envolvida nas acusações deve ser tida como inocentes, até que se prove o contrário.
“A obediência a este princípio, portanto, é dever elementar de qualquer jornalista, independentemente das informações que obtenha e de sua convicção pessoal. Não importa, portanto, que em data futura a presunção da inocência venha, eventualmente, a se confirmar correta. O que importa é o direito dos acusados de serem tratados como inocentes até que a Justiça prove o contrário". (LIMA, Venício A. p.14)


No artigo, Venício Lima cita alguns casos da manipulação por parte da imprensa que reforçaram a presunção de culpa, trata-se de Escândalos Políticos Midiáticos (EPM). De acordo com o texto, EPM “é o evento que implica a revelação, através da mídia, de atividades previamente ocultadas e moralmente desonrosas, desencadeando uma seqüência de ocorrências posteriores” (LIMA, Venício A. p. 13)
O escândalo envolvendo o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), é um dos exemplos de um EPM. Se não fosse a mídia, talvez os escândalos pudessem não ter vindo à tona, visto que um órgão de imprensa foi o responsável pela acusação que Renan teria utilizado dinheiro público para interesses pessoais.
A mídia, muitas vezes, ao fiscalizar o governo, comete alguns abusos éticos que podem interferir no curso dos acontecimentos. Muitas pessoas que se envolveram em escândalos, tiveram a reputação destruída, ainda que depois fossem consideradas inocentes, não tiveram direitos de resposta.
Durante as investigações envolvendo o senador, a revista Veja vinculou uma serie de publicações em que acusava Calheiros de envolvimento em práticas irregulares. O caso Renan Calheiros passou a ser conhecido como ‘Renangate’, fazendo alusão ao escândalo político ocorrido na década de 70, nos Estados Unidos, envolvendo dois repórteres do Washington Post que descobriram o envolvimento do Richard Nixon em práticas irregulares. O Watergate é o mais conhecido EPM, o qual mostrou à grande influencia da mídia em fiscalizar governos e denunciar publicamente seus desvios, além de ter sido marco no jornalismo investigativo.
A edição do dia 19 de Setembro, publicada logo após a absorção de Renan Calheiros da acusação de quebra do decoro parlamentar, traz uma reportagem sobre a decisão dos senadores de inocentar Calheiros. A revista acusa os senadores de terem inocentado Calheiros, em conseqüência de chantagens, ameaças e troca de favores. “Com acordos às escondidas, ameaças, chantagens e protegido pelo anonimato, um grupo de 46 senadores desferiu na semana passada um golpe letal contra a credibilidade do Senado Federal e dos políticos em geral.” (VEJA, p.49)
Em O poder simbólico (1989, p.189) Bourdieu se refere ao jornalista “detentor de um poder sobre os instrumentos de comunicação de massa que lhe dá um poder sobre toda a espécie de capital simbólico – o poder de ‘fazer ou desfazer reputações’, de que o caso Watergate deu uma medida”.
A revista Veja, põe Renan a todo o momento na condição de culpado e não na condição de suspeito como deveria ser tratado. É importante ressaltar também que, a revista faz referência aos escândalos do senador, relacionando-os com o Partido dos Trabalhadores (PT), como se o partido tivesse envolvido em algumas práticas irregulares que Renan tinha conhecimento, e em troca do silêncio de Renan, o partido iria votar contra a cassação do mandato.
“Na surdina, o governo e o PT se associaram a Renan para costurar um acordo que garantiu a salvação do mandato do senador – desta vez à custa de grandes e dispendiosos favores, com ingredientes de chantagem e ameaça e com a participação de personagens conhecidos pela atuação heterodoxa no submundo da política.” (VEJA, p.50)

De acordo com a revista, o senador e o PT buscaram a absorção por meio de chantagens e trocas de valores. No entanto, a revista não comprova as afirmações e não apresenta nenhuma fonte que esclareça melhor o assunto.

“Com os petistas no bolso, bastaram algumas operações laterais para sacramentar a vitória de Calheiros. Sabe-se que Renan e seus aliados conseguiram buscar votos na oposição, à custa de chantagem, cobrança ou promessas de favores. Senadores que se diziam indecisos em público fizeram pacto de sangue com Renan no privado.” (VEJA, p.52)

A edição do dia 19 de setembro é um exemplo claro de que a revista Veja utiliza-se da manipulação das informações, muitas vezes, salientando, distorcendo e supondo fatos para defender os próprios interesses políticos. A Veja supõe que alguns fatos tenham acontecido e muitas vezes não apresenta provas que comprovem a afirmação.
A revista Veja relata conversas e negociações que aconteceram entre a senadora Roseana Sarney, outros senadores e o presidente Lula antes da votação, no entanto não apresenta nenhum fato que comprove as conversas que aconteceram em “off” e nem como a revista teve acesso às informações que foram conversadas.

“A senadora disse que estava muito preocupada com os últimos acontecimentos e, principalmente, com as adesões de parlamentares petistas à tese da cassação. Como se tivesse portando um recado, Roseana advertiu: ‘A pior coisa que pode acontecer ao governo é ter o Renan como inimigo’.” (VEJA, p. 50)

A revista também relata sobre um telefonema que o senador José Sarney teria feito para Renan, em que advertia o senador sobre as chances de ser absorvido. Outro relato apresentado pela revista é uma conversa entre ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, o senador Aloizio Mercadante e Sarney. Segundo Veja, os líderes políticos combinaram de procurar Renan que iria possibilitar a absorção de Renan.
“... caso ele (Renan) sinalizasse que se afastaria temporariamente do cargo após a votação, o governo e o PT trabalhariam no plenário para absolvê-lo. Já era madrugada de quarta, dia da votação, quando o grupo desembarcou na base aérea. Sarney levou a proposta de afastamento ao presidente do Congresso, que, de início, hesitou, mas acabou aceitando depois de receber a garantia de que não haveria traição entre os petistas.” (VEJA, p.52)

A reportagem também apresenta uma fonte, no entanto ela não é identificada. Segundo a Veja, “um senador da oposição, que zelou como se fosse um xerife pela aprovação do processo de cassação, procurou o presidente do Congresso e lhe confidenciou que sua posição não passava de um teatro para seus eleitores. Ele estava agradecido pelo belo emprego no governo que Renan arrumou para um de seus filhos.” (p.52)
Utilizando-se da teoria da Presunção da Culpa e partindo dos fatos irrefutáveis apresentados pela revista Veja, podemos perceber que a revista não preserva a integridade das fontes, julga e condena previamente as pessoas envolvidas no caso e não comprova a veracidade dos fatos.

Visão Mundial encerra parceria com a CECOM

O Centro Comunitário Batista Clériston Andrade foi criado em 1974, pelos membros da Igreja Batista da Graça com objetivo de promover à comunidade saúde, desenvolvimento e educação. E assim oferece para a população de baixa renda assistência nas áreas física, intelectual, psico-social e espiritual, contando com apoio de diversas instituições. O Centro desenvolve ações preventivas de saúde, ensino infantil e fundamental, inclusão digital, cursos de culinária a artesanato, além de estimular a comunidade para desenvolver alternativas para o próprio sustento.
A Igreja Batista da Graça é que mantém o projeto, no entanto a organização tem outros convênios. “Tínhamos a parceria com a Visão Mundial desde 29 de Dezembro de 1986 que foi encerrada em setembro deste ano. No entanto, o encerramento foi apenas formal financeira, mas a parceria continua informal. Agora mesmo, eu e mais quatro pessoas da CECOM, estamos fazendo um curso promovido pela Visão. A parceria de troca de cooperação continua.”, declara a presidente da instituição Irma Andrade Pereira de Oliveira.
De acordo com Oneide Costa Lima, primeira secretaria da Cecom, a Visão Mundial era responsável por cerca 50% da receita. Em conseqüência do fim da parceria, muitos projetos que funcionavam em função disso foram desativados, como serviço de atendimento ao cliente (SRC).
“A Visão Mundial trabalha com o apadrinhamento de crianças e tem toda estrutura para se dê atenção a essas crianças, façam levantamento e o acompanhamento como eles esperam. Esse projeto, que era mantido por conta visão, será cessado até que possamos direcionar a outros convênios”, afirma Oneide.
Um dos motivos apontados para o fim da parceria está relacionado ao fato que a Visão Mundial está desenvolvendo outro projeto com a comunidade de Cajazeiras que atenderá cerca de 5mil crianças. “Todas as outras parcerias com outras instituições em Salvador foram encerradas, entre elas a CECOM. Há algum tempo, estamos desacelerando atividades por conta do encerramento. Geralmente, a Visão previa uma parceria com uma instituição que poderia durar de cinco a dez anos, conosco eles ficaram 21 anos”, diz.
Outro motivo é o fato que a Visão colabora coma instituição até que ela torne-se auto-suficiente. “Com ajuda da Visão muitos projetos foram desenvolvidos e a comunidade hoje está muito melhor. Projetos que foram cessados devido ao fim da parceria foram inseridos de maneiras transversais a outros projetos, como Iniciativa Esperança que trabalha na prevenção do HIV e acolhimento de pessoas com AIDS que foram inseridos em outros projetos da área de saúde.”, afirma Irma.
A Cecom tem desenvolvido alternativas de sustentabilidade com ajuda dos membros da Igreja Batista e outras pessoas que estejam dispostas a colaborar. Atualmente recebe recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS), aluguéis do estacionamento, bazar que acontece nas terças-feira, eventos promovidos pela instituição, Projeto do Programa de Educação Tributária ‘Sua nota é um show’, doações, além da ajuda financeira da Igreja Batista da Graça.
Atualmente a CECOM tem parcerias com a Igreja Batista da Graça (IBG), Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC – BA), escolas de enfermagem e Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), escola de serviço social e enfermagem da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Secretaria de Saúde do Município de Salvador, Núcleo de Estudos e Práticas Psicológicas da UNIFACS – NEPPSI, projeto Fome Zero, além de voluntários.

Conscientização e respeito podem evitar acidentes no trânsito

Em conseqüência do grande índice de acidentes envolvendo pedestres na Avenida Luis Viana Filho, a Paralela, foi construída a passarela que liga as Faculdades Jorge Amado e Unifacs. A passarela que tem 260 metros de extensão foi construída após reivindicações dos estudantes.
A Paralela é cenário de muitos acidentes, principalmente envolvendo pedestres e estudantes. No ano passado, foram registrados 1.076 acidentes de trânsito na avenida, resultando na morte de 13 pessoas. Em 2005, por exemplo, morreu vítima de atropelamento a estudante do curso pré-vestibular solidário da Faculdade Jorge Amado, Benedita Maria dos Santos.
Com a construção da passarela que beneficia estudantes, funcionários da instituição e moradores, os pedestres passaram circular com segurança pela avenida. Estima-se que cerca de 5mil pessoas circulam diariamente no local. No entanto, a passarela é apenas uma das formas de evitar casos de acidente graves. Outras maneiras eficientes são o uso da faixa de pedestre, o respeito por parte dos motoristas aos pedestres que atravessam a faixa e à sinalização.
Apesar da incidência de acidentes na avenida, muitos pedestres continuam atravessando fora das faixas, passarelas e quando o sinal está fechado. O que nota-se é a falta de conscientização das pessoas sobre a importância do uso e respeito da faixa de pedestre. A população precisa também estar alerta aos cuidados ao fazer a travessia nas faixas onde não há semáforo.
A conscientização deve partir também dos motoristas, que têm o dever de parar, mesmo que não tenha semáforo, antes da faixa. Além disso, os motoristas devem respeitar as sinalizações e reduzir a velocidade quando aproximar da faixa.

O incentivo á Educação Ambiental

Professores discutem a importância da inclusão da matéria Educações Ambientam nos parâmetros curriculares.
Por Débora Suellen

A Educação Ambiental não é ministrada como uma disciplina especifica nas instituições de ensino brasileira, no entanto, ela é integrada a outras matérias como Geografia, Biologia e Ciências. Em Salvador, as instituições educativas promovem a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais, organizando projetos, palestras e workshops visando à cidadania e incentivando a conscientização dos alunos sobre o Meio Ambiente.
“Este mês estamos fazendo uma exposição sobre Fauna & Flora envolvendo alunos da 1º á 4º série. Eles ainda não têm entendimento sobre a importância da preservação e conservação do meio ambiente, mas é preciso que estejam sendo ensinados para que tornem jovens e adultos conscientes.”, adverte a diretora da Escola Maanaim, Mônica Sandrina Ramos.
Na educação escolar, o Meio Ambiente é um projeto desenvolvido no âmbito dos currículos das instituições educativas em todos os níveis de ensino. “A educação ambiental utiliza-se do processo pedagógico criando nos alunos uma consciência sobre os problemas ambientais decorrentes da ação humana. É indispensável que haja o ensino sobre meio ambiente, juntamente com programas voltados à preservação.”, explica a pedagoga do Colégio Gregor Mendel, Albani Borges de Oliveira.
Em 1999, entrou em vigor a Lei N° 9.795, que dispõe sobre a Educação Ambiental nas instituições de ensino, no entanto a lei dispõe que não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino. Alguns professores, como Mário Albuquerque, discordam que a Educação Ambiental seja ensinada como conteúdo interdisciplinar.
“Devido tantos problemas, como aquecimento global, extinção de animais e desmatamento, é necessário perceber a importância do ensino. Discordo que a disciplina continue sendo ministrado como conteúdo informal. A matéria deve ser incluída nas grades curriculares até mesmo para servir como solução a essas problemáticas envolvendo Meio Ambiente”, conclui.

Movimentos se unem contra a integração do Rio

Lançado no inicio deste ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem como objetivo destinar recursos para investir na integração ou transposição do Rio São Francisco. O projeto consiste na construção de canais de cimento que irão fazer a transferência do “Velho Chico” para rios e açudes do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, que têm o volume diminuído no período de estiagem. Esse processo permite que parte do volume do rio que deságua no mar será captada, garantindo o consumo nas regiões semi-áridas da Região Nordeste, o que significa grande investimento por parte dos cofres públicos.
No entanto, a polêmica sobre a Transposição do Rio São Francisco continua dividindo opiniões que discordam da iniciativa. Movimentos sociais, políticos e uma parcela da população querem que o tema seja mais exposto, principalmente para a população nordestina.
O sociólogo Ruben Siqueira, um dos organizadores dos protestos que aconteceram em Brasília, acredita que a transposição do rio vai fazer com que o valor da água fique ainda maior. De acordo com ele, não foram realizados nenhum estudo sobre os impactos ambientais. Uma das perspectivas do projeto é fazer o desvio das águas do Tocantins para o São Francisco o que poderá ser ainda mais grave por se tratar de dois biomas diferentes
Segundo os índios do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), é necessário que haja a revitalização do rio que possibilitará a criação de empregos para as pessoas que precisam. “O problema é que a revitalização é um trabalho em longo prazo e dá menos visibilidade ao governo. O projeto de transposição é um crime, pois difunde a idéia de água fácil para todos e joga por terra todo o esforço em educar as populações que vivem na bacia do São Francisco. Todos os estados do Nordeste têm água suficiente para abastecer suas populações, o problema é que esta água é mal aproveitada.”, adverte os indígenas.
Os Movimentos Sociais contrários a transposição, afirmam desejar que o rio seja preservado e revitalizado, no entanto só irão aceitar a proposta caso recebam da Agência Nacional de Águas (ANA), de outros institutos de pesquisa e de representantes do governo, a garantia de que a população nordestina não será prejudicada.

Bióloga discute sobre projeto de transposição do rio São Francisco

Por Débora Suellen

O projeto de transposição do Rio São Francisco constitui na transposição de parte das águas do rio para pequenos rios e açudes da região Nordeste que possuem um déficit hídrico durante o período de estiagem. No entanto, movimentos sociais e profissionais que desempenham pesquisas na área, mostram-se contrários ao projeto de transposição por acreditarem que o projeto beneficiará políticos, agricultores e não a população carente.
A bióloga Edilene Nascimento Souza, pós graduada em gestão ambiental, é uma entre muitas pessoas que se posicionam contra a transposição do rio, por acreditar que o projeto terá benefícios políticos e não sociais. “O projeto que tem como promessa de matar a sede da população nordestina servirá apenas aos interesses de políticos. Para mim, como pessoa e não como profissional, o projeto no papel tende a beneficiar aqueles que sofrem com a falta d’água, mas na prática ele beneficiará mesmo o político que estiver por trás, caso a transposição dê certo.”, afirma.
Para ela, a transposição é uma questão muito polêmica que caso fosse colocado em prática como deveria, ajudando a população carente do semi-árido nordestino, poderia contribuir muito para diminuir a escassez de água. No entanto, do ponto ambiental, Edilene adverte que a transposição poderá gerar impactos ambientais. “Com a transposição do rio problemas ambientais poderão ocorrer como assoreamento em conseqüência dos desmatamentos nas margens e diminuição do leito do rio que futuramente pode não existir.” adverte.
De acordo com a bióloga, a alternativa para o Nordeste está relacionada à má utilização da água e a poluição do rio. “É necessário que as pessoas saibam usar e não desperdiçar a água. Não existe estímulo para conservação da água, é obrigação do governo mostrar como e o que deve ser feito. Além disso, é importante também pensar na revitalização, pois não se pode oferecer uma água que se encontra poluída", conclui.

Bispo retoma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

Dois anos após fazer jejum por onze dias em protesto contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, o bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio resolveu retornar a greve de fome devido ao descumprimento do acordo feito com o presidente Lula em 2005.
“O presidente Lula prometeu suspender as obras e abrir o diálogo com a sociedade. Esse acordo foi feito para que eu suspendesse a greve de fome e diminuísse a polêmica sobre a transposição”, afirma Cáppio. De acordo com ele, o governo havia assumido o compromisso de abrir discussão participativa com a sociedade civil, até que houvesse a construção de um Plano de Desenvolvimento Sustentável que fosse baseado na convivência com todo o Semi-Árido e priorizasse a população mais pobre.
“O rio São Francisco não é uma propriedade privada, por isso o futuro dele tem que ser discutido com a população. O governo não tem o direito de nos privar disso. O que vai acabar com a seca é a convivência com o semi-árido. Iniciativas como as ações da Articulação do Semi-Árido são propostas que podem garantir o abastecimento de água para toda a população nordestina”, declara.
Para ele, o governo não tem nenhum compromisso com a sociedade e não houve nenhuma sensibilização diante das inúmeras mobilizações da sociedade brasileira. Em Outubro deste ano, Cáppio esteve em Salvador onde ministrou uma palestra contra o projeto de transposição. Fundador do projeto ‘Uma vida pela Vida’, ele acredita que a sua atitude significa doação da vida dele em favor do rio e da população.
Através da greve de fome, Cáppio acredita que possa sensibilizar o governo e fazer com que seja arquivado o projeto de transposição do Velho Chico. No entanto, a atitude de Cáppio foi encarada como chantagem pelo governo e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, declarou em entrevista aos veículos de comunicação que levará adiante o projeto de transposição.

Professor acusa projeto de transposição do Rio São Francisco de não analisar os impactos sócio-ambientais

Por Débora Suellen


O Velho Chico vem sendo enfraquecido por ações políticas movidas por grupos de interesse e por projetos que irão afetar as relações ecológicas e sociais no rio como declara o professor de geografia da Universidade Federal da Bahia, Antonio Puentes Torres. “Os organizadores dos projetos não tem considerado as possibilidades que a interferência na natureza provocaria na região. Além disso, não se tem feito levantamentos sobre a complexidade sócio-espacial da região e sobre os impactos sociais, econômicos, políticos e os processos da natureza e da sociedade”, declara.
Torres tem experiência na área de Hidrologia, Bacias Hidrográficas e Estudos Integrados do Meio Ambiente. Segundo ele, o projeto está focado em área de clima semi-árido em que há uma pequena precipitação pluviométrica e a presença de temperaturas elevadas, isso significa que a transposição de rios localizada em clima semi-árido pode provocar conseqüências que não estão sendo analisadas.
“A maneira como o projeto está sendo proposto é um equívoco. Não se pode por em prática o projeto de transposição do Rio São Francisco sem considerar questões importantes como os impactos ambientais que eles podem causar. É necessário que se faça uma análise mais complexa, antes que comece um projeto sem que tenha consciência das conseqüências”, adverte.
Torres acredita que não adianta levar água para uma região em que a concentração fundiária é o principal obstáculo a ser transposto. “Não adiantaria também levar água para uma região onde as pessoas não têm terra e transpor um rio em que suas águas encontram-se poluídas. O que deve ser feito é solucionar problemas que envolvem a questão e expor as pessoas quem serão os beneficiários da água”, afirma.
Para ele, a sociedade deveria ter acesso aos propósitos do projeto e debater sobre esse tema. “A natureza tem que ter a participação de todos e não pode ter fronteira administrativa, é direito das pessoas que as águas do rio São Francisco sejam beneficio de todos. É necessário favorecer a participação ativa das pessoas na discussão e na busca de soluções para os problemas impostos ao São Francisco”, conclui.

Geólogo acusa projeto de transposição do Rio São Francisco de Marketing Político

Por Débora Suellen

“O projeto que visa mostrar a transposição do São Francisco como solução para a escassez de água do Nordeste é um marketing político para sensibilizar e confundir as pessoas menos informadas e esclarecidas”, a acusação é feita pelo geólogo Dilermando Alves do Nascimento que dedica aos estudos sobre Hidrogeologia e da Hidroquímica das águas da região.
Nascimento é autor de boletins e pesquisas que discutem sobre a iniciativa do Governo Federal de transpor parte das águas do rio. Segundo ele, não existe falta de água, mas uma má distribuição em conseqüência da falta de gerenciamento dos recursos hídricos. “O fato é que existe excedente hídrico na Região Setentrional acumulado nas grandes barragens, o suficiente para atender a demanda da população. No entanto, as águas não foram canalizadas para que chegasse ao acesso de todos.”, acrescenta.
De acordo com Nascimento, o fato da presença da água na região nordestina não ter resolvido problemas das secas, mostram que esses problemas não serão solucionados com a oferta de água, pois a região tem água suficiente para atender a demanda da população, entretanto a ausência de ações por parte dos governantes na aplicação de medidas estruturais não permitem a distribuição de água.
Nascimento acredita que a construção de obras como as Barragens Subterrâneas, Implantação de Cisternas para captação de água de chuva e a dessalinização de água de Poços Tubulares seriam as alternativas mais eficientes para solucionar o problema da ‘falta de água’ no semi-árido nordestino. “Além da geração de empregos, isso permitiria levar água aos lugares mais afastados onde as obras de engenharia, com a construção de adutoras e túneis para distribuição, são economicamente inviáveis”, conclui.

sábado, setembro 29, 2007

FotoArte - Fotografias dos Quadros de artistas do Pelô



O Centro Histórico de Salvador já foi palco de celebridades como Michael Jackson e Paul Simon. No entanto, o Pelourinho também é lugar de outros artistas que vivem no anonimato e não possuem destaque, mas que através dos pincéis e telas mostram que tem talento e arte.


As pinturas têm formas e gêneros diversos, algumas são abstratas, retratos de pessoas ou de alguns pontos turísticos de Salvador, outras representam alguns ícones da cultura baiana como capoeira, danças, baianas ou a religião como o candomblé.

quinta-feira, maio 10, 2007

Driblando o desemprego com trabalho informal


Vendedor de churrasquinho conta como venceu o desemprego através do trabalho informal

Por Débora Suellen

No mês que se comemora o dia do trabalho é imprescindível não se referir a profissionais que driblam o desemprego e garantem uma renda extra através da informalidade. Os trabalhadores informais dividem-se entre aqueles que trabalham por conta própria e estão empregados, porém sem carteira assinada.
André Luiz Santana de Oliveira conhecido como Deco Espetinho é um entre os 48,5 milhões de brasileiros que trabalham na informalidade. Deco e mais dois ajudantes trabalham fora das regras trabalhistas, sem carteira assinada, sem pagar impostos vendendo churrasquinho de carne para driblar o desemprego.
Em uma mureta a churrasqueira é posta junto com a caixa de isopor das bebidas. Para sentar, banquinhos de plástico completam o cenário do churrasquinho que tem agradado todas as classes, visto que alguns clientes são de classe média. Faça chuva ou faça sol, o espetinho tem horário marcado, sempre ás 18h. Com chuva, as pessoas ficam embaixo de um sombreiro.
Inteligência aliada á competitividade - Há também os que preferem pedir no Drive-Thru levando para viagem ou comer no carro. E como a propaganda é a alma do negócio, Deco conta com uma promoção que atrai risadas, mas também olhares curiosos. Trata-se de um desafio que é quebrar o recorde de quem comeu mais espetinhos e como recompensa ganhar mais um. O espírito competitivo das pessoas, já rendeu bons lucros.
O espetinho - “que não é de gato”, revela - custa R$ 1,80 e sustenta a família de quatro pessoas de Deco. Localizado no bairro de São Rafael, o churrasquinho conquistou freguesia não só entre moradores do bairro, mas de outras pessoas que se deslocam de outros bairros para comer o espetinho.
“Sinto muito satisfeito por esse reconhecimento por parte dos meus clientes. Quando tem alguém que vem pela primeira vez e retorna fico muito feliz. É sinal que meu trabalho está tendo rendimento. O dinheiro é muito importante, mas o reconhecimento sem dúvida tem sido maior recompensa”, entusiasma-se.
A conquista da freguesia - O comerciante David Moitinho Dourado morador do bairro Horto Florestal trocou o requinte de churrascarias por o espetinho. “Fui apresentado ao sabor do churrasquinho pela minha namorada Luciana. O ambiente é agradável, além da economia por que ao contrario das churrascarias da cidade, se paga menos por uma boa qualidade”, diz Dourado.
A professora Luciana Queiroz Bonifácio mora no bairro da Vitória e considera-se freguesa do espetinho do Deco. “Já conhecia o tempero do André através de amigos em comuns. Ele era convidado fazer os churrascos da galera, então resolveu abrir esse negocio. Sempre que posso venho aqui, vale à pena deslocar de tão longe para apreciar um bom churrasco”, afirma Luciana.
A idéia do espetinho nasceu nas farras de finais de semana em que Deco era convidado sempre pelos amigos a temperar a carne. “A minha contribuição era temperar a carne, na hora da necessidade resolvi aproveitar disso para ganhar dinheiro, meus amigos que reclamaram por que agora estão tendo que pagar para comer do churrasco”, brinca.
Luta contra o desemprego - Desempregado, André resolveu vender churrasquinho como forma alternativa de ganhar dinheiro e garantir o sustento da família. O negócio deu certo e depois de três anos, conquistando uma freguesia fiel, não quer deixar de ser empresário do comércio informal.
“Estou muito satisfeito com meu comércio, antigamente trabalhava para ganhar um salário mínimo por mês, enquanto hoje posso tirar isso em um final de semana. Não acho que o comércio informal seja algo que deva ser considerado ilegal, o que importa é que estou ganhando meu dinheiro de forma honesta”, desabafa.
Deco sonha alto sem tirar os pés do chão, planeja abrir um negócio com as vendas de espetinhos ou uma churrascaria. Através dos lucros do churrasquinho em São Rafael, abriu uma filial em Colina de Pituaçu.
“Estou juntando minhas economias para abrir uma rede de espetinho e futuramente uma churrascaria. A partir do momento que tive meu comércio, pude ganhar um pouco mais e estar mais próximo da minha família. Hoje não tenho que limitar a férias do trabalho, viajo com minha família e posso estar mais próximo deles”, diz.
Deco não é uma pessoa que se possa resumir em poucas palavras, é muito mais do que o carisma e a popularidade que aparenta. É um homem de sonhos, que acredita em um mundo melhor, que quer proporcionar aos filhos um futuro digno, ensino e vida de qualidade como talvez a que não teve. É um brasileiro que tenta ganhar a vida de maneira simples e honesta, mesmo que não esteja dentro das leis. Deco representa um entre tantos brasileiros que tentam ganhar a vida como podem.

quinta-feira, abril 26, 2007

Adoção sem Preconceito

Mães adotivas de crianças especiais mostram como o amor é capaz de superar as “deficiências”


As maiores preferências dos interessados na adoção são por recém-nascidos, brancos e de sexo feminino. Os candidatos a pais preferem esperar para poderem escolher uma criança dentro das expectativas. Geralmente, não existem filas de espera para crianças com particularidades, pois são as menos solicitadas para adoção.
No entanto, o que as pessoas não se questionam é que estão sujeitas a ter filhos com particularidades. Adotar um bebê não permite esta segurança, porque doenças e acidentes não podem ser previstos e podem deixar seqüelas. Crianças especiais não devem ser encaradas como obstáculos, todavia quando supridas as necessidades afetivas e emocionais, podem progredir.
Além de serem abandonados pelas famílias biológicas, os portadores de necessidades especiais são também excluídos pelo Estado que não tem programas adequados para a reabilitação e pelas pessoas que buscam adotar uma criança que não estejam dentre as que têm particularidades.
“As pessoas ficam inseguras na hora de adotar uma criança especial. O fato é que elas temem não saber lidar com a situação e não tem informações voltadas para o incentivo dessa causa. Precisamos olhar de outra maneira a adoção especial”, incentiva Veralucia Queiroz de Santana Bonifácio mãe adotiva de uma criança com particularidades.
Com amor e sem rejeição - Vitor Hugo da Silva Santana foi encontrado pelo casal Valdir e Marselha da Silva Santana no banheiro da Igreja Universal de Aquidabã após dois dias de nascimento. Empolgados, decidiram criar a criança a qual foi recebida com muita alegria.
Quando descobriram que Vitor tinha paralisia cerebral, os pais adotivos ficaram muito abalados. Vitor tem 70% do cérebro lesionado o que o impossibilita os movimentos de locomoção do corpo. Tem também a fala comprometida assim como a visão e audição. Necessita de cuidados especiais, como auxilio de uma enfermeira e cama de hospital.
Após cinco anos de convivência, Marselha descobriu que estava grávida do segundo filho biológico do casal. Com isso, ficou impossibilitada de cuidar de três crianças, então decidiram que iria entregá-lo em uma casa para crianças especiais.
A sogra de Marselha, Veralucia Queiroz de Santana Bonifácio (que também é mãe adotiva de Valdir), foi contra a decisão, pois acredita que o menino precisava do convívio familiar. “As casas voltadas para crianças especiais são poucas e sobrevivem com muitas dificuldades. O Vítor já era parte da família e nós não poderíamos rejeitá-lo e sim tratar e oferecer amor”, disse Bonifácio.
Vitor passou por um tratamento intensivo, fez fisioterapia, mas teve o deslocamento da bacia. Deverá ainda este ano fazer uma cirurgia no pé para fazer eco terapia e tem acompanhamento neurológico e embora tenha sido desenganado pelos médicos freqüenta a escola para crianças especiais, pois Veralucia acredita que isso possa ser favorável ao desenvolvimento.
Amor incondicional - Maria Conceição do Nascimento é comerciante e mãe de um filho. Há um ano, iniciou o processo de adoção de Luíza, uma criança com Síndrome de Down. Os pais de Luiza não tinham condições de criar a menina, então Maria decidiu que enquanto ela não tivesse um lugar adequado para ficar, permaneceria com ela.
“Quando ela chegou foi amor á primeira vista, resolvi que deveria ficar com ela. Alguns familiares reprovaram minha atitude e discriminaram, mas as diferenças não são mais importantes que o amor que nos une. A Luíza tem uma vida normal, freqüenta a escola e brinca como outras crianças.”, entusiasma-se Nascimento.
Roseni Scheffler é pós-graduada em educação especial. Mãe de três filhos biológicos não pensava em adoção, foi quando teve conhecimento da história de João, filho de uma mulher com problemas mentais e que resolveu engravidar com a reprovação dos pais. “Os avós da criança resolveram disponibilizá-lo para adoção. Ainda não foi definida a legalidade da adoção, mas enquanto não acontece estou acompanhando de perto o crescimento de João. Acredito que o amor é a melhor fisioterapia, estimulação é tudo que precisam.”, afirmou Scheffler.
Procedimentos para adoção - Independente do estado civil, qualquer pessoa com mais de 21 anos pode adotar, desde tenha pelo menos 16 anos a mais do que a criança a ser adotada. A criança deve ter até 18 anos, exceto se já estiver sob guarda ou tutela e após total certificação de que os pais biológicos sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do pátrio poder.
Para adotar é necessário procurar o Juizado da Infância e Juventude para fazer um cadastro com dados de identificação, renda, profissão e domicílio. Deve também identificar sexo, cor e idade da criança ou adolescente pretendido. Para isso, é necessário portar Certidão de Antecedentes obtida em cartório, cópias da Certidão de Nascimento ou Casamento, da Carteira de Identidade e do CIC, do comprovante de residência, Atestado de Antecedentes Criminais obtido em uma Delegacia, Atestado de Idoneidade Moral, firmado por duas testemunhas e firma reconhecida em cartório, Atestado de Sanidade Física e Mental dado por um médico e fotos coloridas dos candidatos ao cadastro.

segunda-feira, março 26, 2007

Abandono e Falência do “maior festival Center da América Latina”

Lojistas do Aeroclube esperam por solução
Por Débora Suelen

Corredores praticamente vazios do empreendimento que prometia ser a “Disneylândia da Bahia”, como anunciou na inauguração em Outubro de 1999. Das 140 lojas, 77 foram fechadas pela falta de clientes. A população evita freqüentar o local por receio da violência e prostituição. Esse é cenário encontrado no Shopping Aeroclube, localizado na Av. Octávio Mangabeira em Salvador.
Só em Março deste ano, três lojas foram fechadas: Sorveteria Fredissímo, a loja de ingressos PIDA e os escritórios da Central do Carnaval. O Rock in Rio Salvador, uma das maiores casas de festa da cidade, tem o prazo até 30 de Junho para a desocupação e entrega do imóvel.Segundo Rogério Horlle, presidente da Associação dos Lojistas do Aeroclube e proprietário da loja Couro & Cia., os comerciantes foram expulsos com proposta de trocar os débitos locatícios pelo ponto e as demais benfeitorias.
Em 2006 o Consórcio Parques Urbanos lançou um projeto de Revitalização, entretanto, as obras não iniciaram. O shopping é administrado pelo é Consórcio Parques Urbanos, formado pelas empresas Nacional Iguatemi Participações e Aliansce Shopping Centers – associação que engloba tanto a Nacional Iguatemi quanto a empresa americana General Growth Properties.

Violência e Prostituição afastam freqüentadores

A falta de segurança foi um dos motivos fez com que freqüentadores evitassem ir ao aeroclube. “Já fui vítima de assalto no aeroclube. Quando saia do meu carro no estacionamento ao lado da minha namorada, fui abordado por dois jovens armados. Ficamos em pânico achando que poderia ser seqüestro. Após esse episódio não sinto mais confortável em freqüentar novamente o aeroclube”, disse o estudante Lucas Fontes Pereira.
Nem mesmo os comerciantes ficam imunes da violência, só este ano casos de assalto contra as lojas Estação Games, AMY, Mundo Místico e Couro & Cia. foram registrados. “Procuramos acionar a equipe de segurança do shopping, mas em conseqüência da demora, os bandidos conseguiram fugir”, afirmou Rogério Horlle.
Além da violência, o uso do local para a exploração sexual e prostituição motivaram algumas pessoas a não freqüentar o shopping, como a dona de casa Márcia Porto, 32, que costumava levar os filhos para passear. “Era um lugar onde as pessoas se divertiam. O lazer e diversão deram lugar a prostituição e a marginalidade. Nos corredores constantemente há mulheres, dentre elas menores, fazendo programa.”, disse Márcia.

Negócios prejudicados pela falta de clientes

A crise do Aeroclube afastou até mesmo o público que freqüentava para se encontrar com amigos e passear. As lojas que ainda mantêm abertas tiveram que aumentar os valores dos produtos para se manter, outras tiveram que vender os produtos á preço de custo e reduzir o quadro de funcionários para diminuir os gastos e os prejuízos.
Outro fator que proporcionou falência de algumas lojas foram os preços excessivos cobrados pelos alugueis de R$50 reais por metro quadrado, enquanto o Shopping Iguatemi cobra R$ 35 por metro quadrado. “Pagamos cinqüenta reais por metro quadrado, mas não sabemos no que é revertido o dinheiro já que não temos o piso adequado, ar-condicionado, elevador, escadas rolantes e iluminação diurna.”, indagou o presidente da Alashow.
Neste carnaval, o projeto "Abadódromo" agravou ainda mais a situação do comercio dos lojistas do Aeroclube. O estacionamento foi ocupado por cambistas e vendedores ambulantes com comércio ilegal, desde a venda de abadas sem nota fiscal até a comercialização de alimentos, bebidas, confecções o prejudicou a venda dos lojistas e os deixou sem recursos para enfrentar o período de baixa estação que se inicia uma semana após o carnaval.

Revitalização X Plano Maquiavélico

Segundo Ana Cristina, assessora da Comunicativa do Aeroclube, as informações sobre o projeto de revitalização serão divulgadas em Abril, no entanto ainda não tem data prevista para iniciar as obras, pois ainda aguardam autorização da SUCOM (Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município).
“Desde 2006, há promessas de revitalização no Aeroclube. Os lojistas são principais prejudicados pelas dificuldades alegadas pelo Consórcio, e se este não possuiu recursos para arcar com os prejuízos, como exigir dos lojistas o adimplemento de obrigações que se pagam com recursos provenientes de vendas realizadas num local que foi abandonado à própria sorte?”, indignou-se Horlle.
Rogério disse que o projeto de revitalização proposto pelo Consórcio Parques Urbano trata-se de um Plano Maquiavélico. “Basta constatar nos meios de comunicação que a revitalização não passa de sonho. Ao acessar o site do tribunal de justiça e lançar como elemento de pesquisa o nome Consórcio Parques Urbanos, iremos nos deparar com ações judiciais, como ações de despejos contra lojistas, demonstrando quem é o verdadeiro causador da decadência do Aeroclube, os próprios gestores.”
“Falta de Respeito” são as palavras que o proprietário do Rock in Rio Herder Mendonça define a posição do consórcio Parques Urbanos para com os lojistas. Segundo o empresário, em 2003 foi impedido de continuar com os pagamentos dos aluguéis devido o consórcio ao invés de receber semanalmente como combinado, querer receber por mês. O empresário alega ter tentado entrar em contato com a administração para reaver a situação, porém só teve como resposta o mandado para que desocupasse e devolvesse o imóvel.A reportagem procurou a administração do Shopping e o Consórcio Parques Urbanos para esclarecimentos, mas eles preferem não falar sobre o assunto. Entre os lojistas reina a “lei do silêncio” em que os comerciantes para não perder o direito de permanecer no empreendimento, preferem não ceder entrevista.