quinta-feira, abril 26, 2007

Adoção sem Preconceito

Mães adotivas de crianças especiais mostram como o amor é capaz de superar as “deficiências”


As maiores preferências dos interessados na adoção são por recém-nascidos, brancos e de sexo feminino. Os candidatos a pais preferem esperar para poderem escolher uma criança dentro das expectativas. Geralmente, não existem filas de espera para crianças com particularidades, pois são as menos solicitadas para adoção.
No entanto, o que as pessoas não se questionam é que estão sujeitas a ter filhos com particularidades. Adotar um bebê não permite esta segurança, porque doenças e acidentes não podem ser previstos e podem deixar seqüelas. Crianças especiais não devem ser encaradas como obstáculos, todavia quando supridas as necessidades afetivas e emocionais, podem progredir.
Além de serem abandonados pelas famílias biológicas, os portadores de necessidades especiais são também excluídos pelo Estado que não tem programas adequados para a reabilitação e pelas pessoas que buscam adotar uma criança que não estejam dentre as que têm particularidades.
“As pessoas ficam inseguras na hora de adotar uma criança especial. O fato é que elas temem não saber lidar com a situação e não tem informações voltadas para o incentivo dessa causa. Precisamos olhar de outra maneira a adoção especial”, incentiva Veralucia Queiroz de Santana Bonifácio mãe adotiva de uma criança com particularidades.
Com amor e sem rejeição - Vitor Hugo da Silva Santana foi encontrado pelo casal Valdir e Marselha da Silva Santana no banheiro da Igreja Universal de Aquidabã após dois dias de nascimento. Empolgados, decidiram criar a criança a qual foi recebida com muita alegria.
Quando descobriram que Vitor tinha paralisia cerebral, os pais adotivos ficaram muito abalados. Vitor tem 70% do cérebro lesionado o que o impossibilita os movimentos de locomoção do corpo. Tem também a fala comprometida assim como a visão e audição. Necessita de cuidados especiais, como auxilio de uma enfermeira e cama de hospital.
Após cinco anos de convivência, Marselha descobriu que estava grávida do segundo filho biológico do casal. Com isso, ficou impossibilitada de cuidar de três crianças, então decidiram que iria entregá-lo em uma casa para crianças especiais.
A sogra de Marselha, Veralucia Queiroz de Santana Bonifácio (que também é mãe adotiva de Valdir), foi contra a decisão, pois acredita que o menino precisava do convívio familiar. “As casas voltadas para crianças especiais são poucas e sobrevivem com muitas dificuldades. O Vítor já era parte da família e nós não poderíamos rejeitá-lo e sim tratar e oferecer amor”, disse Bonifácio.
Vitor passou por um tratamento intensivo, fez fisioterapia, mas teve o deslocamento da bacia. Deverá ainda este ano fazer uma cirurgia no pé para fazer eco terapia e tem acompanhamento neurológico e embora tenha sido desenganado pelos médicos freqüenta a escola para crianças especiais, pois Veralucia acredita que isso possa ser favorável ao desenvolvimento.
Amor incondicional - Maria Conceição do Nascimento é comerciante e mãe de um filho. Há um ano, iniciou o processo de adoção de Luíza, uma criança com Síndrome de Down. Os pais de Luiza não tinham condições de criar a menina, então Maria decidiu que enquanto ela não tivesse um lugar adequado para ficar, permaneceria com ela.
“Quando ela chegou foi amor á primeira vista, resolvi que deveria ficar com ela. Alguns familiares reprovaram minha atitude e discriminaram, mas as diferenças não são mais importantes que o amor que nos une. A Luíza tem uma vida normal, freqüenta a escola e brinca como outras crianças.”, entusiasma-se Nascimento.
Roseni Scheffler é pós-graduada em educação especial. Mãe de três filhos biológicos não pensava em adoção, foi quando teve conhecimento da história de João, filho de uma mulher com problemas mentais e que resolveu engravidar com a reprovação dos pais. “Os avós da criança resolveram disponibilizá-lo para adoção. Ainda não foi definida a legalidade da adoção, mas enquanto não acontece estou acompanhando de perto o crescimento de João. Acredito que o amor é a melhor fisioterapia, estimulação é tudo que precisam.”, afirmou Scheffler.
Procedimentos para adoção - Independente do estado civil, qualquer pessoa com mais de 21 anos pode adotar, desde tenha pelo menos 16 anos a mais do que a criança a ser adotada. A criança deve ter até 18 anos, exceto se já estiver sob guarda ou tutela e após total certificação de que os pais biológicos sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do pátrio poder.
Para adotar é necessário procurar o Juizado da Infância e Juventude para fazer um cadastro com dados de identificação, renda, profissão e domicílio. Deve também identificar sexo, cor e idade da criança ou adolescente pretendido. Para isso, é necessário portar Certidão de Antecedentes obtida em cartório, cópias da Certidão de Nascimento ou Casamento, da Carteira de Identidade e do CIC, do comprovante de residência, Atestado de Antecedentes Criminais obtido em uma Delegacia, Atestado de Idoneidade Moral, firmado por duas testemunhas e firma reconhecida em cartório, Atestado de Sanidade Física e Mental dado por um médico e fotos coloridas dos candidatos ao cadastro.

3 comentários:

Anônimo disse...
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Unknown disse...

Fico muito feliz quando , vejo trabalhos voltados para pessoas Especiais , e sem dúvida esta matéria é de extrema importância , pois enfatiza uma realidade Brasileira :
A exclusão de pessoas deficiêntes , e quando vemos pessoas dispostas a Adotar uma criança independente da cor ,raça ou deficiência ,podemos acreditar no Amor e na Fraternidade ,na Solidadriedade , acreditar em Deus ,parabén Debora pela iniciativa , que Deus sempre abençoe seu trabalho para incentivar casais especiais a Adotarem crianças Especiais .

Anônimo disse...

Olá Débora!!
Li sua matéria e fiquei muito comovida com as estórias apresentadas! Realmente este ainda é um problema em nossa sociedade. As diferenças são tratadas como doenças infecto contagiosas o que não é verdade. O que vejo é que crianças especiais conseguem ser muito mais amorosas do que crianças ditas normais, se tiverem carinho, amor e atenção. Muito bom o tema, bom texto. Beijinhos! :)