Por Débora Suellen
O projeto de transposição do Rio São Francisco constitui na transposição de parte das águas do rio para pequenos rios e açudes da região Nordeste que possuem um déficit hídrico durante o período de estiagem. No entanto, movimentos sociais e profissionais que desempenham pesquisas na área, mostram-se contrários ao projeto de transposição por acreditarem que o projeto beneficiará políticos, agricultores e não a população carente.
A bióloga Edilene Nascimento Souza, pós graduada em gestão ambiental, é uma entre muitas pessoas que se posicionam contra a transposição do rio, por acreditar que o projeto terá benefícios políticos e não sociais. “O projeto que tem como promessa de matar a sede da população nordestina servirá apenas aos interesses de políticos. Para mim, como pessoa e não como profissional, o projeto no papel tende a beneficiar aqueles que sofrem com a falta d’água, mas na prática ele beneficiará mesmo o político que estiver por trás, caso a transposição dê certo.”, afirma.
Para ela, a transposição é uma questão muito polêmica que caso fosse colocado em prática como deveria, ajudando a população carente do semi-árido nordestino, poderia contribuir muito para diminuir a escassez de água. No entanto, do ponto ambiental, Edilene adverte que a transposição poderá gerar impactos ambientais. “Com a transposição do rio problemas ambientais poderão ocorrer como assoreamento em conseqüência dos desmatamentos nas margens e diminuição do leito do rio que futuramente pode não existir.” adverte.
De acordo com a bióloga, a alternativa para o Nordeste está relacionada à má utilização da água e a poluição do rio. “É necessário que as pessoas saibam usar e não desperdiçar a água. Não existe estímulo para conservação da água, é obrigação do governo mostrar como e o que deve ser feito. Além disso, é importante também pensar na revitalização, pois não se pode oferecer uma água que se encontra poluída", conclui.
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