Por Débora Suellen
Dois anos após fazer jejum por onze dias em protesto contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, o bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio resolveu retornar a greve de fome devido ao descumprimento do acordo feito com o presidente Lula em 2005.
“O presidente Lula prometeu suspender as obras e abrir o diálogo com a sociedade. Esse acordo foi feito para que eu suspendesse a greve de fome e diminuísse a polêmica sobre a transposição”, afirma Cáppio. De acordo com ele, o governo havia assumido o compromisso de abrir discussão participativa com a sociedade civil, até que houvesse a construção de um Plano de Desenvolvimento Sustentável que fosse baseado na convivência com todo o Semi-Árido e priorizasse a população mais pobre.
“O rio São Francisco não é uma propriedade privada, por isso o futuro dele tem que ser discutido com a população. O governo não tem o direito de nos privar disso. O que vai acabar com a seca é a convivência com o semi-árido. Iniciativas como as ações da Articulação do Semi-Árido são propostas que podem garantir o abastecimento de água para toda a população nordestina”, declara.
Para ele, o governo não tem nenhum compromisso com a sociedade e não houve nenhuma sensibilização diante das inúmeras mobilizações da sociedade brasileira. Em Outubro deste ano, Cáppio esteve em Salvador onde ministrou uma palestra contra o projeto de transposição. Fundador do projeto ‘Uma vida pela Vida’, ele acredita que a sua atitude significa doação da vida dele em favor do rio e da população.
Através da greve de fome, Cáppio acredita que possa sensibilizar o governo e fazer com que seja arquivado o projeto de transposição do Velho Chico. No entanto, a atitude de Cáppio foi encarada como chantagem pelo governo e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, declarou em entrevista aos veículos de comunicação que levará adiante o projeto de transposição.
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