segunda-feira, dezembro 10, 2007

Moradores de Xique- Xique reclamam da poluição do Rio São Francisco

Por Débora Suellen

O rio São Francisco é a principal renda dos moradores de Xique-Xique (BA) e é utilizado para geração de energia elétrica, irrigação, abastecimentos urbano e industrial, navegação, pescas e extração de areia. Registradas grandes enchentes no período de 1837 e1843, o rio enfrenta hoje uma das maiores crises da seca em conseqüência do baixo nível das águas. Atualmente nenhuma das embarcações fluviais de carga faz o percurso entre Pirapora e Juazeiro.
A falta de cheias decorrente principalmente também da construção de barragens tem sido uma das maiores queixas dos moradores. “A produção de energia é muito mal planejada. As construções das barragens, fez com que a vazão do Velho Chico fosse regularizada. Quase toda energia consumida na região é originada no complexo de hidroelétricas da CHESF instaladas no rio.”, acusa o morador Carlos Chargas.
Os ribeirinhos utilizam a água para tomar banho, lavar roupas e beber. Para eles, projetos como construções de hidroelétricas e transposição do rio São Francisco irão agravar ainda mais a situação de seca do rio. “O que o rio precisa ser tratado. Ele está morrendo, assim como muitas pessoas que dele necessita. O uso para a irrigação, transporte, consumo da água, comércio de peixes e a cultura dos ribeirinhos tem sido colocados em segundo plano.”, reclama o pescador Jasiel Ferreira.
Bispo Diocesano da cidade de Barra (BA), Luiz Cáppio, acredita que as águas do rio não estão mais em condição de ser consumida em virtude da poluição."A população está sendo envenenada em decorrência dos projetos de irrigação com uso dos agrotóxicos.Acredito que a causa do grande número de crianças com deficiência mental fosse também em conseqüência da poluição do rio São Francisco.", afirma.
Na pescaria, o conhecido peixe Curimatã, tornou-se difícil de ser encontrado no rio, em virtude disso, passou a ser importado de outros países e distribuído em Irecê, Feira de Santana, e no estado de Sergipe. “Está cada vez mais raro à pesca do Curimã. Antigamente saiamos de Xique-Xique para pescar, hoje precisamos navegar em pleno lago de Sobradinho em busca do mesmo pescado. Além disso, o peixe passou a ser importado de outros lugares, como Argentina, com a seca e a poluição do rio estamos perdendo nosso meio de sobreviver”, conclui Ferreira.

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