Por Débora Suellen
“O projeto de transposição beneficiará apenas uma parte da superfície do semi-árido que representa 5%. Nas barragens da região do Seridó no Rio Grande do Norte, em que tem um dos maiores de secas do Nordeste, não receberão as águas da transposição. A água vai ficar nas mãos de quem menos precisa”. A acusação foi feita pelo Frei Dom Luiz Cappio, um dos mais ferrenhos opositores à Transposição do Rio São Francisco na Bahia, na última quarta feira, 10 de outubro, durante a palestra ‘O caminho do planeta: preservar ou destruir?’, no Costa Verde Tennis Clube.
Durante o evento, Dom Luiz Cappio que realiza estudos sobre o Rio São Francisco, relatou sobre a polêmica da transposição do rio. Segundo ele, o problema do semi- árido não têm sido a falta de água, mas a má distribuição. “A transposição não soluciona o problema da falta de água. O projeto de transposição do rio visa concentrar a água em reservatórios que atendem às áreas urbanas ou às grandes produções irrigadas, ou seja, quem mais precisa não será beneficiado com esse projeto”, afirma.
Cappio acusa às iniciativas do projeto como um jogo de interesses em que irá beneficiar parte da população. Segundo ele, cerca de 80% dos açudes públicos do Nordeste não estão disponíveis para a população em decorrência a influência político-econômica na distribuição da água.
Um dos motivos discutidos pelos movimentos sociais contrários a integração do Rio São Francisco é que o projeto vai elevar o preço das tarifas de água e luz, em conseqüência dos altos custos de operação e manutenção do sistema. “A água bruta no Nordeste não é cobrada e as famílias da região pagam apenas pelo bombeamento da fonte de suprimento até a área agrícola.”, discute.
Cappio defende a necessidade de revitalização e acredita que devam existir soluções de distribuição das águas, para que sejam acesso de todos. “Um anêmico não pode doar sangue. Não tem como distribuir águas de um rio que se encontra poluído pelo esgoto e pelos agrotóxicos despejados. Tornar o rio saudável é prioridade.”, adverte.
Durante o evento, Dom Luiz Cappio deu exemplos de transposições que não deram certo em países como a China, Espanha, Estados Unidos, Peru e a Índia, e que atualmente enfrentam problemas de racionalização dos recursos hídricos.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário