Por Débora Suellen
O Velho Chico vem sendo enfraquecido por ações políticas movidas por grupos de interesse e por projetos que irão afetar as relações ecológicas e sociais no rio como declara o professor de geografia da Universidade Federal da Bahia, Antonio Puentes Torres. “Os organizadores dos projetos não tem considerado as possibilidades que a interferência na natureza provocaria na região. Além disso, não se tem feito levantamentos sobre a complexidade sócio-espacial da região e sobre os impactos sociais, econômicos, políticos e os processos da natureza e da sociedade”, declara.
Torres tem experiência na área de Hidrologia, Bacias Hidrográficas e Estudos Integrados do Meio Ambiente. Segundo ele, o projeto está focado em área de clima semi-árido em que há uma pequena precipitação pluviométrica e a presença de temperaturas elevadas, isso significa que a transposição de rios localizada em clima semi-árido pode provocar conseqüências que não estão sendo analisadas.
“A maneira como o projeto está sendo proposto é um equívoco. Não se pode por em prática o projeto de transposição do Rio São Francisco sem considerar questões importantes como os impactos ambientais que eles podem causar. É necessário que se faça uma análise mais complexa, antes que comece um projeto sem que tenha consciência das conseqüências”, adverte.
Torres acredita que não adianta levar água para uma região em que a concentração fundiária é o principal obstáculo a ser transposto. “Não adiantaria também levar água para uma região onde as pessoas não têm terra e transpor um rio em que suas águas encontram-se poluídas. O que deve ser feito é solucionar problemas que envolvem a questão e expor as pessoas quem serão os beneficiários da água”, afirma.
Para ele, a sociedade deveria ter acesso aos propósitos do projeto e debater sobre esse tema. “A natureza tem que ter a participação de todos e não pode ter fronteira administrativa, é direito das pessoas que as águas do rio São Francisco sejam beneficio de todos. É necessário favorecer a participação ativa das pessoas na discussão e na busca de soluções para os problemas impostos ao São Francisco”, conclui.
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