terça-feira, maio 26, 2009

O sonho interrompido



Mãe de gêmeos perde um dos filhos por causa de uma transfusão feto fetal

O sonho de ser mãe faz parte da vida da maioria das mulheres. É um sentimento que desperta logo na infância e acompanha até outras fases. Quando recebem o resultado “positivo” e constatam que estão grávidas é sempre uma surpresa, agradável para uns e desagradáveis para outras.

Quando desejada, cria-se um laço de afeto entre mãe e filho, que acompanham ansiosamente em média 9 meses à espera do bebê. Este tempo é marcado por momentos bons, a curiosidade para saber o sexo do bebê, a escolha do nome, a compra do enxoval...

A estudante Melissa Phan Paludetto de São Paulo, vivia este sonho de ser mãe de primeira viagem aos 16 anos. Do relacionamento entre ela e Andrews Trombieiro dos Santos, 20 anos, veio a gravidez inesperada, mas desejada por todos da família. Pouco tempo depois, soube que seu sonho viria em dose dupla. Aos dois meses de gestação descobriu que estava grávida de gêmeos univitelinos, ou seja, idênticos.

“Estava tão ansiosa... Ser mãe era meu maior sonho e após descobrir que estava grávida, passei a sonhar com o dia do nascimento deles”, conta.
No entanto, o maior sonho de Melissa, tornou-se um pesadelo. Infelizmente, no dia 27 de Dezembro de 2008, com 32 semanas de gestação, a adolescente começou a sentir contrações e foi para o hospital. “Na maternidade, me deram um remédio pra amenizar a dor, porque eu não tinha dilatação. O médico então pediu uma ultrassonografia para ver a posição dos bebês”, acrescenta.

Foi então que os médicos descobriram que o coração de um dos bebês havia parado de bater e que há dois dias, ele teria morrido. Os bebês haviam feito uma transfusão feto fetal que é uma síndrome em que um feto passa sangue para outro. Essas comunicações são comuns entre fetos de uma mesma placenta, no entanto, quando há desequilíbrio causado pelo excesso ou falta de sangue a um dos fetos, pode resultar em morte, como aconteceu com um dos bebês de Melissa. “O bebê que morreu se chamaria Kauãn e o outro que sobreviveu se chama Ryan. Na transfusão, o Kauãn acabou morrendo por excesso de sangue”, lembra.

Os médicos acabaram tendo que utilizar como procedimento o parto de emergência com intuito de salvar a vida do outro bebê que corria o risco de morrer pela falta de sangue. Ryan nasceu com anemia profunda e foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo), setor responsável pelo atendimento a recém nascidos.

“É uma dor lembrar o que aconteceu, é algo que estará sempre na minha memória. Após a perda do meu filho passei a ver muitos gêmeos e mulheres grávidas, o que me deixa muito mal. Já cheguei à conclusão que esse assunto de gêmeos me persegue. A perda do meu filho afetou bastante meu estado psicológico e por esse motivo acho que vejo tantos gêmeos e mulheres grávidas”, acredita Melissa.

O bebê permaneceu internado por 24 dias, onde passou por uma série de exames, entre eles uma ressonância magnética, na qual constatou que as duas partes do cérebro foram afetadas, o que pode resultar em seqüelas.

Apesar do futuro incerto quanto às seqüelas que Ryan corre risco de apresentar, Melissa sonha com um desfecho diferente para toda essa história e vê na fé a esperança de que o filho possa crescer saudável e sem maiores conseqüências. “Ainda não sabem se Ryan terá alguma seqüela. Para mim foi muito difícil assimilar isso tudo e hoje a única coisa que peço a Deus é que meu filho não tenha nenhuma seqüela”, conclui.

sábado, maio 23, 2009

Uma ferida que não Cicatriza


Depoimento de uma mãe que perdeu o filho em um acidente



A brasileira Cristina França, 45 anos, vive há 25 anos em Barcelona, na Espanha. Em agosto de 2006, sofreu a dor de perder o filho, Rafael França Maia, três dias depois de ter perdido a mãe Helena, que sofreu um derrame cerebral.

Rafael, na época com 24 anos, morreu vítima de um acidente de moto no Rio de Janeiro, onde estava morando há dois anos. O jovem trabalhava em um supermercado e retornava do horário de almoço acompanhado de um colega de trabalho, quando a moto em que estavam foi fechada por outro veiculo. Ao tentar desviar, a moto derrapou e os dois jovens se chocaram contra um muro. O colega de trabalho faleceu no local, enquanto Rafael chegou a ser socorrido, permaneceu 14 dias em coma, mas não resistiu.

“A dor de ter perdido um filho é uma dor insuperável, uma sensação de culpa em todos os sentidos. A gente não encontra um porque para aquilo ter acontecido. Tento trabalhar, ocupar a cabeça, mas superar é impossível. A dor de perder um filho é uma ferida que não cicatriza”, desaba Cristina
.
Cristina define o Rafael como um filho generoso, divertido, prestativo, carinhoso, que adorava ‘colinho da mãe e da avó’. O jovem se dividia entre a casa da mãe na Espanha e a casa da avó paterna Juvelina Maia, que ajudou a criá-lo. Em uma viagem de férias ao Brasil em 2002, Rafael conheceu Laia Ferreira, e ao retornar para Espanha, continuou se correspondendo com ela. Laia ficou grávida de outro namorado, o qual a abandonou, então Rafael se apaixonou por ela e resolveu ir embora para o Brasil, assumindo a responsabilidade de pai da criança. Rafael passou morar com a namorada e o pai, Jerfesson Maia, do qual eram muito amigos. “Eles eram como se fossem unha e carne”, conta Cristina.

Após algum tempo, Laia ficou grávida de Rafael, no entanto sofreu um aborto espontâneo. Depois de algum tempo Laia ficou grávida novamente e deu a luz a Isabel, hoje com 4 anos. Rafael estava encantado com a idéia de ser pai, era fascinado pela filha. “A última lembrança alegre que tenho é quando estávamos no telefone e ele avisou que estava chegando o primeiro aniversário da sua filha. Estávamos com as passagens marcadas para setembro ir ao Brasil, festejar junto com ele. Mas, um mês antes do aniversário, eu retornava ao Brasil para enterrar meu filho”, lembra.

A vida após a morte de Rafael tornou-se difícil para Cristina, entretanto, ela tem buscado vencer a saudade e ausência do filho. “Não sei onde encontrar tanta fortaleza, mas temos que seguir adiante, buscando forças para poder ajudar a outros pais, que passaram por situações semelhantes. Nesses instantes difíceis, sempre nos agarramos com a fé para amenizar a dor. Ás vezes duvidamos da fé, porque é difícil entender o que se passa. Por alguns instantes, questionei Deus, mas reconheço que a fé é que nos faz seguir adiante”, declara.

terça-feira, maio 12, 2009

Quando o amor não é eterno...


Certamente você já deve ter conhecido alguém, que de alguma forma mudou por completo sua vida. Com um tempo surgiram às afinidades, e mesmo diante das diferenças é perceptível que há muito em comum entre os dois. Do nada você se vê rindo de alguma coisa que lembrou desse alguém, vê sempre algo o(a) traz a memória...

Passam grande parte do tempo conversando e a sensação que se tem, é nunca faltam assuntos... Acham engraçado as coisas mais tolas, ouve uma música e pensa na maneira como ele(a) te faz bem. São horas e horas ao telefone, ao MSN, trocando recados e mensagens no celular. Quando você menos percebe, ela (a) já povoou seus pensamentos e você está com sintomas de paixão. Andam de mãos dadas, observam juntos as estrelas, trocam juras de amor... E se vêem cada vez mais envolvidos.

De repente o castelo de sonhos, que foi construído de areia desmorona e o conto de fadas chega ao fim. Mas como dizia Shakespeare, “beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno”. Quando conhecemos alguém com quem nos relacionamos e com quem nos envolvemos emocionalmente, não pensamos na possibilidade de separar. Mas, quando isso acontece, o melhor é estar preparado para novos desafios e para recomeçar uma nova vida, longe daquele que por algum tempo foi o seu companheiro.

Atualmente, é cada vez mais comum as pessoas se separarem, pois nem todos os casais permanecem juntos “até que a morte os separe”. Às vezes os relacionamentos que pareciam ser estáveis, terminam.

Os rompimentos tendem abalar emocionalmente as pessoas, algumas reagem mais fortes, enquanto outras se atêm ao desespero. A separação às vezes é inevitável, mas não é algo que não pode reparar. Quando não há volta, o melhor é ver no fim um novo recomeço e não fechar-se para o mundo e para o amor. A vida revela surpresas e certamente você irá se apaixonar outra vez, quem sabe outra, e outras, e outras... Cada vez que seu coração se fizer em pedaços, alguém irá consertá-lo e você estará pronto para recomeçar.