
Depoimento de uma mãe que perdeu o filho em um acidente
A brasileira Cristina França, 45 anos, vive há 25 anos em Barcelona, na Espanha. Em agosto de 2006, sofreu a dor de perder o filho, Rafael França Maia, três dias depois de ter perdido a mãe Helena, que sofreu um derrame cerebral.
Rafael, na época com 24 anos, morreu vítima de um acidente de moto no Rio de Janeiro, onde estava morando há dois anos. O jovem trabalhava em um supermercado e retornava do horário de almoço acompanhado de um colega de trabalho, quando a moto em que estavam foi fechada por outro veiculo. Ao tentar desviar, a moto derrapou e os dois jovens se chocaram contra um muro. O colega de trabalho faleceu no local, enquanto Rafael chegou a ser socorrido, permaneceu 14 dias em coma, mas não resistiu.
“A dor de ter perdido um filho é uma dor insuperável, uma sensação de culpa em todos os sentidos. A gente não encontra um porque para aquilo ter acontecido. Tento trabalhar, ocupar a cabeça, mas superar é impossível. A dor de perder um filho é uma ferida que não cicatriza”, desaba Cristina
.
Cristina define o Rafael como um filho generoso, divertido, prestativo, carinhoso, que adorava ‘colinho da mãe e da avó’. O jovem se dividia entre a casa da mãe na Espanha e a casa da avó paterna Juvelina Maia, que ajudou a criá-lo. Em uma viagem de férias ao Brasil em 2002, Rafael conheceu Laia Ferreira, e ao retornar para Espanha, continuou se correspondendo com ela. Laia ficou grávida de outro namorado, o qual a abandonou, então Rafael se apaixonou por ela e resolveu ir embora para o Brasil, assumindo a responsabilidade de pai da criança. Rafael passou morar com a namorada e o pai, Jerfesson Maia, do qual eram muito amigos. “Eles eram como se fossem unha e carne”, conta Cristina.
Após algum tempo, Laia ficou grávida de Rafael, no entanto sofreu um aborto espontâneo. Depois de algum tempo Laia ficou grávida novamente e deu a luz a Isabel, hoje com 4 anos. Rafael estava encantado com a idéia de ser pai, era fascinado pela filha. “A última lembrança alegre que tenho é quando estávamos no telefone e ele avisou que estava chegando o primeiro aniversário da sua filha. Estávamos com as passagens marcadas para setembro ir ao Brasil, festejar junto com ele. Mas, um mês antes do aniversário, eu retornava ao Brasil para enterrar meu filho”, lembra.
A vida após a morte de Rafael tornou-se difícil para Cristina, entretanto, ela tem buscado vencer a saudade e ausência do filho. “Não sei onde encontrar tanta fortaleza, mas temos que seguir adiante, buscando forças para poder ajudar a outros pais, que passaram por situações semelhantes. Nesses instantes difíceis, sempre nos agarramos com a fé para amenizar a dor. Ás vezes duvidamos da fé, porque é difícil entender o que se passa. Por alguns instantes, questionei Deus, mas reconheço que a fé é que nos faz seguir adiante”, declara.
Um comentário:
fascinante,estou emocionada,com a materia,indiscutivelmente,magnifico o trabalho de Debora. impresionante,uma visao extraordinaria,merece um excelente reconhecimento profissional,felicitaçoes um trabalho maravilhoso.
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