Os bons jornalistas sabem: a ética e o profissionalismo são atributos inerentes a um profissional sério de comunicação. O jornalismo sério tem a objetividade e a busca da verdade como valores. A verdade representa a qualidade do que é verdadeiro, se difere da verdade do jornalista e se afirma como a exatidão real dos fatos. Poderia utilizar sinônimos para as palavras sério e verdade, mas de maneira proposital quis repeti-las, pois são relevantes e deveriam ser inseridas nos princípios fundamentais de cada jornalista.
A principio quero deixar claro que sou estudante, estou concluindo o curso de jornalismo e ingressando no mercado de trabalho. Embora competitivo, acredito que capacidade e eficiência sejam diferenciais para alcançar o sucesso e a realização profissional. Não pretendo chegar onde quero passando por cima de ninguém e tão pouco construir fama, destruindo a dos outros. Respeito os que informam sobre a vida das celebridades, mas abomino os que lhes atribui valores.
Não sou ingênua a ponto de desacreditar que uns chegam ao topo pelas indicações, popularmente conhecido como Q.I, e outros utilizam meios sujos para se destacar, mas sei que os leitores sabem diferenciar os jornalistas bons e ruins e quem tem competência é quem ganha destaque. Embora, infelizmente, o sensacionalismo seja ainda ovacionado, o individuo que possui discernimento busca a informação em fontes confiáveis.
Com o alto poder de persuadir, convencer e influir pessoas, o jornalismo passa a ser nas mãos de alguém uma arma que pode ser usada para o bem ou para o mal. No entanto, assim como a liberdade de expressão, que tanto reivindicamos, deveríamos lutar também pela liberdade de pensamento. Não podemos deixar que nossos valores e opiniões pessoais possam ditar o pensamento do leitor e interferir nos fatos. Deixemos que o leitor pense, tire suas conclusões e tenha uma posição critica a respeito de algo. Outra coisa que é necessário deixar claro, o jornalista pode escrever sua opinião, desde que ela seja explicita e não camuflada por trás de uma matéria, reportagem ou notícia.
Comecei a refletir sobre o papel do jornalista e seus valores, após o incidente envolvendo a cantora Cláudia Leitte e o “jornalista” Alex Lopes. Durante a coletiva de imprensa no sábado, 31, antes de seu show no Sauípe Fest, na Bahia, a cantora e o jornalista discutiram. Resultado, surgiram boatos que o marido da artista, Márcio Pedreira, teria agredido Lopes. No entanto, após as imagens do bate boca entre o jornalista e a cantora Cláudia Leitte foram divulgadas por completo, foi constatado que Alex Lopes mentiu ao dizer que havia sofrido uma agressão.
Os 15 minutos de fama do jornalista Alex Lopes foram alcançados com base na mentira de um fato, um acontecimento relacionado a uma agressão inexistente. Como jornalista, acredito que em nenhum momento a cantora quis coagi-lo e tão pouco considero o ato uma forma de tentar impedir a liberdade de expressão. As notícias publicadas a respeito da artista no portal Universo Axé fazem críticas não só a Claudinha como artista, mas como mãe, mulher e esposa, e visam denigrir a imagem da cantora. O que é publicado não são informações, são opiniões pessoais de um sujeito escondidas por trás de notícias e matérias.
Esses conceitos nos levam a refletir a respeito dos valores e do papel do jornalista, principalmente no que se refere à informação ao leitor. Os veículos de comunicação não podem ser um filtro que impedem que a verdade esteja ao alcance de todos e tão pouco o jornalista não deve ser alguém que dite e faça as opiniões. Ele deve levar em conta os princípios da profissão, fazendo com que ela esteja acima das opiniões próprias.
terça-feira, novembro 10, 2009
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